quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Tchubarubarando com a Mallu.

O que pediria uma menina de 15 anos de idade ao seu pai rico? Certamente um monte de coisas legais como celulares, sapatos, roupas, festas ou viagens maneiras. O bom é que pra tudo tem exceção e, nesse caso tem até nome próprio: Mallu Magalhães.

Mallu poderia ser mais uma cocotinha paulistana, que torra a grana do pai bem de vida em frivolidades adolescentes que só a ajudariam a ter mais sucesso entre suas iguais, entretanto resolveu bancar a esperta e não ser simplesmente a melhor entre seu grupinho, resolveu ser realmente diferente de todas. Ao invés de um festerê lindo pra society, Mallu resolveu pedir um “paitrocínio” para gravar um disco com músicas escritas por ela mesma.

Mallu, mas parece a Judy Foster.

Com o presente do pai e suas canções ela foi até o estúdio “Lucia no Céu”, lá no Sumaré, em São Paulo e, juntamente com os músicos do local arranjou e gravou suas primeiras canções, disponibilizadas em seu MySpace. Dai pra frente, após divulgar bastante o trabalho e causar frison no circuito alternativo de São Paulo, blogs, jornais e MTV’s em geral, a menina ganha os festivais de música do Brasil e, já com 16 anos de idade, acompanhada pelos músicos do estúdio “Lucia no Céu”, que agora são a sua banda oficial, entra novamente em estúdio e grava o seu disco de verdade.

O trabalho é uma superprodução, com direito a equipamentos antigos da gravadora EMI restaurados (com os quais também foram gravadas as músicas do Led Zeppelin IV), instrumentos escolhidos à dedo como o piano usado por Tom Jobim, guitarras dos anos 50, colheres e panelas na bateria e experimentações diversas, tudo supervisionado pelo renomadíssimo produtor musical Mário Caldato, que já trabalhou com gente graúda como o Beastie Boys, Super Furry Animals, Molotov, Seu Jorge, Planet Hemp, Bebel Gilberto, Marcelo D2, Chico Science & Nação Zumbi, dentre outros. Enfim, com tudo isso junto, não poderia sair outra coisa senão um álbum de sonoridade caprichadíssima.

Mallu e sua turma, no estúdio.

Mallu Magalhães
e um leãozinho atento, estilo bolacha passatempo, é o que se vê na capa do disco que carrega o cancioneiro da garota paulistana e que foi lançado oficialmente no dia 15 de Novembro deste ano, durante o festival Gig Rock, em Porto Alegre. No festival estavam presentes diversos nomes de vulto da música independente nacional, mas a boa notícia para os conterrâneos é que a banda que se apresentou logo após o show de Mallu (muito bom, por sinal) foram os Umuaramenses do Nevilton, que continuam cada vez mais marcando presença no cenário nacional.


Na feira da fruta, o clipe de Tchubaruba.

Folk por excelência, dá pra se notar tons de Bod Dylan, Johnny Cash, Elvis Perkins e comparsas bem evidentes em todas as faixas do álbum, ainda mais que a maioria das músicas são em inglês, mas sem qualquer desabono no sotaque da garota. As guitarras de Kadu Abecassis, a bateria de Jorge Moreira e os baixos de Thiago Consorti, conversam de igual pra igual com os vilões, banjo e gaita de boca de Mallu, criando um clima feliz e colorido, inclusive nas músicas mais melancólicas.

Infelizmente, chega uma hora que a voz ainda um tanto infantil de Mallu começa a soar incômoda, dando a impressão de que o disco poderia terminar lá pela décima música ao invés de se estender por quinze. Mas isso é só um pequeno detalhe que é diminuído pela qualidade sonora e musical que essa trupe conseguiu criar nos 10 dias de gravação do álbum. E é essa criatividade de qualidade que faz com que cada nova canção que começa se torne uma surpresa dessa caixinha carinhosamente criada e decorada pela menina prodígio mais descolada do momento. Que sirva de exemplo!

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

1984: O ano em que o cérebro era troféu

Sob os olhares atentos e uma espécie de terror psicólogo, a obra “1984”, de George Orwell, escrito em 1948, fala de um mundo, Oceania (congregação de países de todos os oceanos), dominado pelo socialismo stalinista em 1984 (o inverso dos números do ano em que foi escrito). Em um mundo onde o Estado domina e nada é de ninguém - mas tudo é de todos - tudo o que resta de privado são os poucos centímetros quadrados do cérebro. E é aí que a batalha se desenvolve, entre o indivíduo e o Estado lutando na tentativa de controlar a mente.

Escrito no pós-guerra, o livro “1984” é um dos maiores clássicos do século passado. O romance de George Orwell descreve uma visão pessimista de um futuro sombrio. O autor inverteu o ano no título para criticar que o totalitarismo vigente em 1948 não era obra apenas de ficção científica. Os editores preferiram inverter os últimos dígitos para não assustar ainda mais os leitores. O ano de 1984 passou e pouco do que foi escrito se concretizou. Provavelmente nos próximos anos oitenta teremos uma sociedade mais parecida com a que foi imaginada por Orwell, pois ainda estamos no estágio experimental do controle da população.

A teletela, o aparelho imaginado por Orwell, é um eficiente receptor e emissor de dados que não se compara às limitações dos aparelhos de TV e dos micro-computadores. Para garantir a manutenção do Partido (tratado como Estado), os setores mais importantes da sociedade eram controlados por elas, sempre sob a onipresença do Grande Irmão (ou Big Brother e antes que me perguntem, lá vem a resposta: sim, o livro tecnicamente também inspirou o programa de TV).

Baseado na opressão dos regimes totalitários das décadas de 30 e 40, o livro não se resume a apenas criticar o stalinismo e o nazismo, mas toda a nivelação da sociedade, a redução do indivíduo em peça para servir ao Estado ou ao mercado através do controle total, incluindo o pensamento e a redução do idioma. A função de Winston Smith (personagem principal) é uma crítica à fabricação da verdade pela mídia e da ascensão e queda de ídolos de acordo com alguns interesses. No Miniver (Ministério da Verdade), ele alterava dados e jogava os originais no incinerador (Buraco da Memória) de tudo que pudesse contradizer as verdades do Partido.

Intrigante e ameaçadora, a obra, apesar de ser uma “visão de como seria o mundo em 1984”, deixa de lado o estereotipo corriqueiro de obras de ficção cientifica (que geralmente tratam o futuro como algo irreal). Indico a leitura principalmente a todos da área de comunicação. Com certeza, quem já leu, assim como eu, adorou!

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

O Ladrão de Sonhos [La Cité des Enfants Perdus, 1995]


Seu criador não o deixou a capacidade de sonhar. Sem sonhos, Krank era só um homem rabugento, um velho que continuava envelhecendo tão rápido que a vida não era nada de especial para ele. Sem sentimento algum, não chorava nem sorria, só mandava e desmandava em seus criados, isolado do mundo em sua plataforma no meio do mar. Mas ele tinha um plano, descobriu que poderia roubar os sonhos das crianças (já que adultos não sonham, são realistas demais) e com estes sonhos conseguiria não mais envelhecer e seria, enfim, um humano completo.

Porém, Krank não sabia com quem estava mexendo ao seqüestrar o “irmãozinho” de One, um brutamontes destemido que, com a ajuda da pequena e irresistível Miette e sua trupe de infantes bandidos, percorre lugares sombrios, mofados, desolados e habitados pelos seres mais bizarros, mas ao mesmo tempo poéticamente belos. Tudo isso para salvar seu irmãozinho e acabar com o reino de terror de Krank.

Krank em sua máquina de roubar sonhos.

Este é o pano de fundo do filme O Ladrão De Sonhos (The City of The Lost Children ou La Cité des Enfants Perdus), um longa metragem francês, lançado em 1995, com direção de Jean-Pierre Jeunet e Marc Caro. A dupla também dirigiu o maravilhoso Delicatessen e, Jeunet nos presenteou com o mitológico e Fabuloso Destino de Amélie Poulain. Em o Ladrão de Sonhos a realidade de um mundo fantástico se torna palpável através de uma cenografia e fotografia cuidadosamente elaboradas, além do estiloso figurino do famoso estilista francês Jean Paul Gaultier. Usar crianças maduras e adultos infantilizados é também uma piada deliciosa dos roteiristas.

One e Miette à caminho do reduto do velhaco Krank.

Os filmes Europeus, diferentemente dos norte-americanos, são bastante densos e provocam reflexões mais profundas. Alguns são intragáveis com tanta referência cultural, o que não acontece com esta obra prima. Nela, elementos como o medo, o egoísmo, o altruísmo, o amor, a amizade e outros mais, são abordados em uma visão universal e acessível a todos. Inclusive, a grande beleza nisso é que todos os elementos da história conspiram para que, assim como aquele velho rabugento, nós também percebamos que sonhar faz a vida algo melhor.

A idealização das coisas, tão fora de moda nestes tempos egoístas, é louvada enquanto o “seja realista e cuide do seu traseiro” não tem outro espaço no filme, senão o de vilão. É uma visão romanceada da vida, mas, ora bolas, estamos falando de um conto de fadas moderno, não poderia ser diferente. Não poderia ser melhor.

One e Miette.



O Trailler.

E para quem se interessou, o link para download.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Mudar da água para o vinho

Sexo: feminino.

Descrição: cabelos roxos compridos, roupas pretas, tatuagens e vários brincos.
Idade: 56 anos.
Quem é ela??? Uma roqueira desvairada e rebelde?! Errado. Esta é Baby do Brasil, ex-integrante do grupo “Novos Baianos”. Agora, uma pastora evangélica.

Como vocês sabem, Baby do Brasil (ex-Consuelo) já foi hippie, pregava o amor livre e fazia músicas, digamos, adiantas às de sua época. Os anos se passaram e aqui está ela totalmente mudada em seu interior, como ela mesma diz. De tão mudada, dizendo ter visto, várias vezes, sinais “gloriosos”, agora ela embarca como líder de um grupo religioso, ou, como quiserem, um novo culto denominado “Ministério do Espírito Santo de Deus em Nome do Senhor Jesus Cristo”, que já vem “salvando as almas perdidas” (que ela exemplifica como punks, skatistas e gays), há três anos.

Depois do milagre da multiplicação dos filhos (com nomes bem esquisitos, diga-se de passagem), a telúrica cósmica renova a fé fazendo aleijado andar e cego enxergar durante os cultos. O “Ministério do Espírito Santo em Nome do Senhor Jesus Cristo” foi fundado por Baby, depois que seu último CD não emplacou nem nas paradas de ônibus.


Há algum tempo, Baby fez a seguinte declaração: “Há poucos dias, estava cantando um louvor com a banda e entrou um senhor numa cadeira de rodas. Quando olhei para ele, senti que ia curar. O pastor foi orar com ele, e eu continuava louvando. De repente, ele levantou e andou”.
Segundo Baby, essa não foi a única vez que fiéis se curaram enquanto sua banda tocava. “Um dia, estava numa igreja e, quando o culto acabou, ouvi uma voz: ‘Volte a louvar’. Continuei o louvor, e minutos depois uma senhora de 75 anos, que estava acompanhada dos netos, levantou e começou a gritar: ‘Estou enxergando, estou enxergando’”, relatou a cantora.

Baby em sua fase hippie, com o grupo Novos Baianos, nos anos 70

Baby é um exemplo claro de boa parte da população que muda de crença, seja por problemas na família, financeiros, falta de “afinidade” com a religião ou crença que já freqüenta, entre outros motivos aparentemente inexplicáveis. No caso de Baby, que já passou por muitas, desde a filosofia hippie até aos ensinamentos do guru Thomas Green Morton (que divulgava o poder mágico da palavra Rá e dizia entortar talheres com a força da mente e fazer luzes surgirem do nada), vejo quão incompreensível é a velocidade de não permanecer ou acreditar em uma crença.
Não se trata de o que há de certo ou de errado em trocar de religião, mas é curioso o fato de algumas pessoas dizerem “mudar de vida”, de uma hora para a outra, acreditando obterem poderes divinos ao encontrarem Jesus.

Não que todas que digam isso sejam desorientadas, mas estas coisas colocam em “xeque” a fé que o indivíduo diz ter, como é o caso da “ex-Nova Baiana”. Depois de tanto mudar e dizer milhões de vezes na mídia que finalmente encontrou Jesus, ela “surtou de vez” e resolveu, sem mais nem menos, montar uma igreja sem ter feito nenhuma especialização (nenhum curso teológico) para poder “liderar um rebanho”. E não é só isso... Baby diz conseguir ressuscitar mortos, lutar contra o demônio (ela diz que é ele quem está por traz das crises e tragédias que estão acontecendo nos Estados Unidos), e ainda diz “curar” homossexuais. E, é claro, como toda boa igreja, cobra o dízimo dos seus seguidores.

Baby ainda mudou todas as letras de suas músicas e as “evangelizou” dizendo ter conseguido finalmente a paz espiritual. Mas será que o “finalmente” dessa vez é pra valer ou é mais um golpe de marketing para alavancar sua própria audiência?! É, porque, até bem pouco tempo atrás, ela só aparecia a cada seis meses nos programas de TV para dizer que mudou de religião, ou para dizer que não faz sexo há mais de cinco anos em respeito a Jesus. Acreditem, a ex-hippie não crê mais no amor carnal. A "popstora", como prefere ser chamada, parece até a Gretchen que só aparece para dizer que largou, trocou de marido, fez um filme pornô ou se aproveita da imagem da filha recém assumida homossexual.
É esperar pra ver, irmãos!

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Em Algum Lugar No Passado


Richard Collier, famoso escritor de teatro, durante a busca por inspiração para sua próxima peça, descobre que o grande amor da sua vida está no passado. Louco de amor ele tenta de tudo, até que consegue viajar no tempo e reviver aquela grande história. E não estamos falando de semanas, ele volta de 1980 para 1912!

Collier fez o que todos nós já quisemos ou vamos querer fazer um dia: voltar no tempo, consertar algumas coisas, reviver bons momentos e deixar a vida do jeito que a gente quer. O filme Em Algum Lugar no Passado (Somewhere in Time, USA, 1980), dirigido pelo francês Jeannot Szwarc, desperta as lágrimas de quem já se despediu alguma vez na vida e revive a esperança do eterno apaixonado. Mas no fim das contas é uma grande lição sobre o valor dos momentos na vida.

Cuidado, Collier... você ainda não é o Superman!

“O passado ao passado pertence” diz sabedoria popular, mas o insistente e apaixonado Richard não tá nem aí. Consegue um milagre em nome de seu amor por Elise McKenna, e esse romance, mesmo que numa realidade paralela, cria situações difíceis que só o grande desejo de estarem juntos para sempre pode mantê-los empenhados em prosseguir. Mas não dá, Richard, existe sempre uma armadilha para quando você acha que está tudo certo.

McKenna e Collier em 1912.

Eu sempre evitei os filmes de amor, romance meloso, mas depois desse, vi que por mais lindo e cor-de-rosa que seja a história, ela sempre nos faz refletir muito profundamente sobre o grande paradigma do amor, esse sentimento lindo e terrível. Aos otimistas o sorriso vem bonito com lágrimas floridas e aos pessimistas a realidade se mostra a injusta de sempre.

O elenco do filme é cheio de figurões dos anos 80, época em que foi filmado e o destaque é para o saudoso Christopher Reeve (o eterno Superman) ainda jovem e com uma evidente carreira de primeira grandeza. A trilha sonora, composta por John Barry (11 trilhas de James Bond nas costas) é uma das mais envolventes que eu já ouvi. O tema de “Em Algum Lugar no Passado” é tão romântico quanto um carinho de amor pela manhã e a “Rapsódia Sobre um Tema de Paganini”, de Rachmaninoff, só pode ter sido escrita enquanto ele flutuava por aí, ambas são canções na medida para uma história de amor.

Se o casal fica junto no final? Aí vai depender de como você vê a vida. Emocione-se.

É clichê...mas com muita classe!


Tema de Somewhere in Time, de John Barry


Rapsódia Sobre um Tema de Paganini, de Rachmaninoff.


Saiba mais (mas tem que saber inglês):

Site oficial do filme: http://www.somewhereintime.tv/

Fundação Christopher & Dana Reeve: http://www.christopherreeve.org

Baixe o filme no site Making Off (Necessário cadastro)

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

As Aventuras de Herman, o Marinheiro.


Herman já tinha sido bancário, professor e fazendeiro para ajudar sua mãe e sete irmãos a não passarem muito aperto depois que o pai morreu. Um dia resolve ser marinheiro e, à bordo vários navios, vive muitas aventuras pelo oceano pacífico, participa de motins e chega até mesmo a viver alguns meses com a tribo de canibais Typee, das Ilhas Marquesas, na Polinésia Francesa. (mais sobre as Ilhas Marquesas)

Em 1844 abandona a vida de homem do mar. Casa-se, em 1847, com Elizabeth e aproveita a bagagem cheia de histórias para escrever alguns livros, que foram grandes sucessos na segunda metade dos anos de 1840, o que garantiu a Herman e sua família algum status e conforto.

As Ilhas Marquesas. Até eu, heim Herman!

Apesar de parecer, o Herman de quem falamos não é um personagem fictício, ele é o escritor norte-americano Herman Melville, que em 1851, escreveu Moby Dick, ou A Baleia. O livro, publicado em três fascículos foi um fracasso na época e levou nosso amigo Herman ao ostracismo. Quando ele faleceu, em 28 de setembro de 1891, há exatos 117 anos atrás, o obituário do New York Times registrava o nome de Henry Melville e ninguém se importou, de tão apagada estava sua fama.

Entretanto, o maior fracasso de critica e público de Herman Melville é o livro pelo qual ele é lembrado hoje. O romance Moby Dick conta a história do jovem Ismael que, decidido a trabalhar na marinha mercante embarca no Pequod, navio baleeiro do capitão Ahab e o desenrolar da história transforma o livro numa obra de arte.

Talvez o grande conteúdo psicológico, divagações de Ismael e as implicações metafóricas de cada personagem e fatos do livro, tenha deixado o pessoal de 1851, ainda não apresentado à Psicanálise (Freud nasceria apenas em 1856) bastante entediado e por fora do assunto, o que pode explicar o grande fracasso, naquela época, de uma obra tão boa.

Capa e contra-capa da primeira edição de Moby Dick.

A riqueza de detalhes sobre barcos, métodos de pesca de baleias e curiosidades marítimas em geral, escrito com total domínio de causa, já que Melville passou anos de sua vida trabalhando na marinha mercante dos Estados Unidos, somada com a atemporariedade do tema, provoca uma sede por cada nova página de Moby Dick.

A vontade doente de vingança do Capitão Ahab; a tripulação alucinada que entra na onda do chefe, colocando em risco a própria vida; as divagações de Ismael, que dentre todos é o mais bem nutrido de razão, tudo isso se apodera do leitor e o leva junto à caça daquele feroz diabo branco, que pode ser uma simples baleia albina, ou o símbolo das mais variadas obsessões humanas.

P.S.: Se quiser ver a rota do baleeiro Pequod e de outros aventureiros da literatura, clique AQUI.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Trabalho na campanha não é só do candidato

Dizem por aí que sobre política e religião não se discute. Até ontem a noite, estava decidida a escrever sobre a tal religião, mas tendo em vista que faltam dez dias para as eleições, resolvi falar de política, ou seja, não sairei da ‘maldita’ discussão. Na verdade, sairei sim e tentarei discorrer sobre o assunto, a partir de algumas percepções que tive ao sair nas ruas da nossa cidade, Umuarama.

Esse é o ano que estou mais ‘ligada’ nesse ‘negócio’ que é a política. Ando cercada por ela, e muitas vezes, até de saco cheio dela. Em qualquer lugar que eu vou, vejo gente fazendo bolão de quem vai ganhar, gente que faz até contagem regressiva para o dia de votar.


Chegou a hora em que os ânimos afloraram! O clima de disputa aumenta cada vez mais entre os candidatos. É um tal de querer debater daqui, prestar contas dali... Enfim, todos procuram de algum jeito, mostrar o que será de Umuarama se forem eleitos.


Entretanto, o clima de competição parece ficar só entre os candidatos já que, há cerca de um mês, está sendo comum sair às ruas e ver pessoas de várias idades segurando placas, banners e bandeiras em praças, esquinas e canteiros centrais das avenidas. Tudo para apoiarem o candidato que acreditam ser o melhor. O mais interessante é que não é raro ver numa mesma esquina, pessoas segurando bandeiras e placas com nomes de candidatos ‘oponentes’ e que ao invés de ‘fecharem a cara para oposição’, conversam e até se ajudam na realização desse difícil trabalho.


É, mas sempre tem um engraçadinho que pode indagar: “Poxa! Ficar sentado o dia todo sem fazer mais nada além de segurar uma bandeira (por exemplo), deve ser moleza!” Mas agora imagine ter de passar o dia inteirinho debaixo de sol, de chuva, dias quentes, dias frios, de vez em quando, até ouvir desaforos de alguns que passam na rua e ainda não ter com quem conversar? Pelo menos, nesse último quesito essas pessoas estão amparadas, já que enquanto divulgam a imagem de seus candidatos, podem trocar idéias com outras pessoas que esperam o melhor para a cidade.


E ainda bem que elas se ajudam! Hoje mesmo, ao atravessar um cruzamento na Avenida Paraná, enquanto esperava o sinal fechar, me deparei no meio de uma conversa, na verdade uma conversa gritada. Uma senhora sozinha, que já devia ter seus mais de 50, estava em um canteiro central da avenida, debaixo dum sol quente (daqueles de deixar qualquer um com vontade de estar na praia), enquanto várias, mas várias pessoas no outro canteiro (os canteiros eram cortados por uma rua), também fazendo propaganda e para candidatos diferentes, convidavam-na a estar com eles: “O fulana (confesso que não prestei atenção no nome dela) vem aqui com a gente! Tá aí sozinha por quê?” E isso tudo em meio a buzinas e barulhos de motores dos automóveis.


Para fazer uma reportagem para um jornal, conversei com uma dessas pessoas que trabalham digamos ‘num escritório temporário ao ar livre’: a Laudicéia. A moça tem 26 anos e está nessa desde o dia 19 do mês passado, segurando uma placa no meio de um desses canteiros centrais. E essa não é a primeira vez que a jovem ajuda o candidato. Ela me contou que há cinco eleições trabalha para ele e faz isso porque acredita no trabalho do cara. Laudicéia começa às 7h15 e acaba o serviço no fim da tarde, às 17h30. O intervalo de meia hora de almoço não a permite ir até sua casa descansar, então, ela tem de comer todos os dias nas redondezas da onde passa o dia.


Faça chuva ou faça sol, Laudicéia está lá, firme atrás da placa. De vez em quando, como ela mesma diz, fica ouvindo uma música, depois conversa com a amiga Cristiane, de 23 anos, que tem a mesma função, mas fica a poucos metros de Laudicéia. E como faz para ir ao banheiro? A jovem responde em tom de brincadeira: “aí eu tenho de falar para minha amiga me socorrer e cuidar da placa para mim, porque não posso deixá-la sozinha!”.


Bom, conversei com muito mais pessoas, mas se fosse contar a história de cada uma delas, ninguém agüentaria ler até o final do texto. Aliás, queria deixar claro que esse texto não tem intenção nenhuma de fazer campanha pra fulano ou ciclano. Na verdade, queria mesmo mostrar como tem gente que ainda acredita que as coisas podem mudar e botam a maior fé no que está por vir. Elas não fazem isso por dinheiro, até porque não ganham nem a metade do que mereceriam ganhar para fazer o que fazem.


É... independentemente de quem ganhe, o candidato eleito vai ter de TRABALHAR bonito, seja na prefeitura ou na Câmara de Vereadores, para, no mínimo, agradecer o que esses umuaramenses têm feito nessa campanha.



Ah, e só por diversão, para quem ainda não viu, olhe só qual a nova empreitada do pai da 'porta dos desesperados' : http://www.sergiomallandro14800.can.br/

Quer rir ou se indignar em dobro? Então deixe a caixa de som do seu computador ligada ao acessar o link.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

"Posso estar só, mas sou de todo mundo."


Na sexta feira, dia 05 de Setembro, Marcelo Camelo lançou seu disco solo, o "Sou". O disco traz 14 canções repletas de boa inspiração, arranjos tranquilos, muita percussão, assobios, barulhos de mar e aquela paz que cultiva em suas músicas desde o Los Hermanos. Para quem já "é do partido" (ou seria do bloco?) , é um disco realmente muito gostoso!

Abre o disco com harmonias tortas e arranjos suaves de "Téo e a Gaivota". "Tudo Passa" vem com ginga, do tipo marchinha de Carnaval contemporâneo e o refrão em vários "Camelos" sopra esperança entre percussões várias. "Passeando" é uma peça para violão ou piano (faixa 3 e 14), a versão de violão traz um vocal que introduz o tema da próxima música: "Doce Solidão". Esta traz a mistura do sentir-se só com o sentir-se bem, e seus assobios, arranjo e melodia arrastado são de fazer arrepiar as canelas. As outras nove canções que seguem, trazem mais bons arranjos, melodias sussurradas, participações especiais de Mallu Magalhães e Dominguinhos, e letras muito bonitas. Você pode ouvir, baixar e ver as letras em http://callback.terra.com.br/marcelocamelo/ . Vale a pena a visita!

p.s.: o cara é mais louco que eu pensava... sempre gostei das letras e músicas, e confesso que me assutei quando soube do blog... pra gente que nunca se contenta com os layouts por aqui... ele tinha a propria solução sobre as cores das fontes, tamanhos de letras e etc. Quando tiver um tempinho, confira: http://g1.globo.com/Noticias/Colunas/0,,7403,00.html

segundo p.s.:

essa foto é excelente, né!? rsrsrs

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

FILMINHO BOM DA GOTA SERENA!


O universo do cinema nacional é repleto de filmes “cabeça”, cheios de metáfora e discurso sócio-político de meia-tigela. Para estes filmes a critica é sempre positiva, pois é mania nacional deixar uma mensagem que só quem estiver “ligado” vai entender. Isso pode até ser uma super diversão pra quem consegue ter alguns insights, mas chega uma hora que enjoa. Ainda bem que, mesmo com a crítica negativa puxado o pé à noite, alguns abençoados ainda insistem em fazer o cinema divertido, com o intuito apenas de entreter e contar boas histórias e este é o caso de O Homem Que Desafiou o Diabo, dirigido pelo eclético Moacyr Góes.

Baseado no romance As Pelejas de Ojuara, de Nei Leandro de Castro, que também é um dos roteiristas do filme, cujo elenco mistura grandes figuras do cinema e televisão com rostos poucos conhecidos do grande público. O já conhecido Marcos Palmeira interpreta Zé Araújo, um caixeiro-viajante e mulherengo de sucesso que seduz a filha de um comerciante turco e acaba obrigado a casar-se com ela. Quando percebe, ele é escravo do sogro na vendinha e da mulher em casa, logo é motivo de piada na cidade. Mas não por muito tempo.

Zé Araujo e sua turquinha.

Num belo dia, Araújo manda tudo praquele lugar e virado num Michael Douglas em “Um Dia de Fúria”, resolve sua vida e se transforma no caboclo da peste, que nada teme, de nome Ojuara (Araújo ao contrario) e cai no “oco do mundo”, enfrentando tudo (incluindo o próprio Diabo), tomando toda a cachaça que encontra e bulindo com qualquer moça que lhe apareça na frente.

A fama de duro na queda de Ojuara o precede, mas ele quer mesmo é chegar na terra de “São Saruê”, onde as montanhas são de rapadura e os rios são de leite, nada mais pitoresco. Mas a grande sacada do filme é juntar vários mitos nordestinos e costura-los através do cabra macho que vaga sertão afora enfrentando assombrações e fazendo coisas que ninguém consegue.

O Cão Pequeno!

Não espere uma análise profunda do folclore nordestino ou qualquer discussão sociológica para a pobreza do sertão, o que interessa para o filme é que o Sertão nordestino é muito quente, colorido, cheio de cachaça, loucura e até mesmo de romance. E seguindo o costume milenar dos filmes brasileiros e aproveitando-se da beleza das atrizes do elenco, O Homem Que Desafiou o Diabo conta também com incontáveis pares de belos peitos em cena, com destaque aos da Fernanda Paes Leme, que interpreta o grande amor de Ojuara, a bela moça de cabaré chamada Genifer.

A bela Genifer com seu par Ojuara.

Portanto, se você quer passar 106 minutos de boas risadas, belas paisagens, causos insólitos e uma aula de ditos populares e gírias nordestinas, esse filme é um prato cheio e merece muito ser visto. Mas também não precisa ir com muita sede ao pote, pois como disse o grande Ojuara: “Quando o pirão é demais, pode esperar caganeira”.



Não está satisfeito?! O Michael Douglas também não!


quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Para calar as bocas e aumentar o som pros ouvidos

“A VI Geração da Família Palim do Norte da Turquia” e Maiara, uma grande amiga dos meninos

Não tão distante de Umuarama, a banda maringaense “A VI Geração da Família Palim do Norte da Turquia”, assinou no final do ano passado um contrato com a “Volume 1 Records”, um selo musical de renome, de São Paulo, que produz bandas que ainda estão no meio “underground”, se assim podemos denominar. A “Família Palim” tem cinco integrantes e todos eles carregam consigo codinomes, ou melhor, personagens, para se apresentarem: Hastür Palim, Hashid Palim, Hassanz Palim, Hastan Palim e Hassen Palim. Quando estão no palco, juram de pés juntos que são irmãos e fugitivos de Stambul. A banda surgiu no Brasil, como eles costumam brincar, em meados de 2003, levando para Maringá um modo divertido de fazer música. Os meninos já têm um primeiro disco, que leva o mesmo nome da banda.

Nesse sábado, às 23h, a banda se apresenta n’A Base, um novo bar de Maringá que fica na avenida Cerro Azul, 323. Lá, além de compartilharem o palco com os garotos do "Charme Chulo" (de Curitiba) e do "Zeferina Bomba" (de João Pessoa), os ‘turcos’ também lançam seu segundo CD intitulado “¿POR QUE NO TE CALLAS?”. Ah, e reza a lenda que haverá uma participação especial de Nevilton em uma música dos caras...
Bom, nós que não somos bobos e não deixamos nada para trás, conversamos com Fernando Pereira, ou melhor, Hastür Palim (como preferirem), que respondeu questões sobre como foi gravar o segundo disco, agora por meio de um selo musical.

Como surgiu a oportunidade de gravar um CD por meio de um selo? Partiu do interesse de alguém da banda ou foi uma espécie de “olheiro” que viu o show de vocês, curtiu e fez a proposta?

Na verdade trabalhamos o primeiro disco (Independente) por cerca de um ano, trabalhamos na base do intercambio de bandas, e foi num desses intercâmbios que conhecemos a piazada do Charme Chulo, que na época estavam entrando para o Volume 1. Para eles deu certo, e então nos indicaram e entramos!

Quais foram as principais diferenças na gravação e produção entre o primeiro e esse segundo disco?

A Principal diferença na gravação foi a entrada do baterista nosso irmão perdido, que deu um gás daqueles pra banda e trabalhou firmemente em cima das músicas! Além do que uma banda que grava um segundo disco já tem uma certa experiência de estúdio, o que facilita muito nas timbragens dos instrumentos e outras coisas. A banda também amadureceu musicalmente, não que tenhamos nos tornados músicos por excelência, mas já houve uma evolução!

Quanto tempo vocês demoraram para produzir?

Lançamos o primeiro disco em 2006, já no meio deste mesmo ano tínhamos músicas novas para um segundo disco. Uma banda igual a nossa não para, são cinco doentes “compondo” sem parar. Pensando assim foram uns dois anos da idéia concebida até a sua execução!

Já que é um CD que vai ser lançado por um selo, vocês vão ter alguma música de trabalho para divulgar a banda?

Mesmo sendo lançado por um selo, creio que a parte de “divulgação” fica por nossa conta, pois o selo é também um meio independente, então acho que falar música de trabalho é um tanto quanto exagero, é lógico que existem aquelas que ficam mais na cabeça, por exemplo: “Padre Quevedo não vai pro Céu” e “Acho que ela gostaria...”.

No primeiro disco, a distribuição era feita por vocês mesmos, em shows. E agora? Como vai funcionar a distribuição?

Continuaremos fazendo esse trabalho de “guerrilha”. Os discos serão vendidos na nossa mão mesmo, nos shows, no site www.familiapalim.com.br ou pelo orkut e myspace. Ah, ele custará creio que R$ 10.

Além da produção do disco, quais as outras vantagens de uma banda assinar com um selo musical?

Acho que uma das vantagens, principalmente, para uma banda de uma cidade pequena do interior do Paraná, onde as leis públicas de incentivo a cultura não existem, é o contato com os grandes centros, no nosso caso específico com São Paulo! Lançando um CD por um selo paulista, é lógico que as possibilidades da banda fazer shows em São Paulo aumentam demais!

*Fotos por Jorge Mariano


E o que é um selo musical, afinal?

Os selos não são gravadoras propriamente ditas, pois não possuem estrutura completa de contratação, gravação, divulgação e comercialização de artistas no mercado, e geralmente recorrem a outras gravadoras para realizar esse trabalho. Normalmente possuem uma pequena equipe de trabalho, pequeno cast de artistas e dependem de outras empresas fonográficas para gravar, divulgar, comercializar e distribuir.