quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Bazar Pamplona e a música que ninguém nunca escutou... Até agora!

"À espera das nuvens carregadas!". Foi assim que muitas pessoas saíram de suas casas no último sábado, para ver ao vivo uma banda de São Paulo que foi a Maringá se apresentar numa noite que provavelmente iria chover. Na fila que assolava a porta do "Tribo's Bar", um misto de emoção e uma ansiedade tremenda do público que já esperava há mais de um ano o retorno dos quatros meninos aos palcos paranaenses.

Foi depois do show da "Sexta Geração da Família Palim do Norte da Turquia" e antes da banda gaúcha "Apanhador Só" (que logo, logo o leitor verá por aqui), lá pela uma hora da madrugada, que em meio a cornetas, trombetas, megafones, flautas, guitarras, contrabaixos, bateria e palmas, mas muitas palmas, que a tal "Bazar Pamplona" começou a tocar. Exato, caro leitor, o nome da banda é "Bazar Pamplona"!

Show do Bazar Pamplona, no último dia 9, em Maringá, causou ansiedade no público que esperava há mais de um ano ver a banda ao vivo (foto por Jorge "Maravilha" Mariano, que está de aniversário hoje)


E por quê esse nome? Bem, isso o vocalista e guitarrista, Estêvão (sim, com dois acentos no nome) explica: "Então, ninguém sabe ao certo de onde vem 'Bazar Pamplona'. Existem várias versões. A que eu sei é que estávamos atrás de um nome, e uma amiga nossa queria de qualquer jeito ser homenageada. Ela sugeriu 'A Banda da Paloma'. Além de ridículo, achamos que ela não merecia homenagem alguma. Mas aí partimos da sugestão dela e fomos fazendo modificações no nome até chegar em 'Bazar Pamplona', que é o oficial da banda hoje. Mas pode mudar a qualquer momento", brinca.

Juntamente com João Victor (guitarra), Rodrigo Caldas (bateria) e Rafael Capanema (baixo), Estêvão e sua trupe, leva ao público apresentações performáticas, com direito a brinquedos de plástico, cartazes com letra de música (para a galera desavisada saber cantar) e bolinhas de papel para arremessar no baterista no final do show.

A banda existe desde 2005, quando quatro moradores de uma república de estudantes se reuniram 'para fazer um som'. Algumas influências são bem explícitas nas composições, como "Beatles" e o movimento da "Tropicália". Saiba que o "Bazar Pamplona", é essencialmente independente. Isso porque, muitas vezes, quando escrevem uma letra, imediatamente a gravam de uma maneira, digamos bem artesanal: no microfone do computador. Agora a banda acaba de lançar "À Espera das Nuvens Carregadas", seu primeiro álbum, produzido por João Erbetta (do grupo "Los Pirata") e lançado pela Monga Records, selo de Paco Garcia (também do grupo "Los Pirata"). O álbum é composto por um punhado de músicas que a banda já tocava em shows e disponibilizava em sites (e que já estavam na boca da moçada) além de algumas músicas inéditas. O CD, que custa em torno de R$ 20, já está à venda em alguns sites como o da Livraria Saraiva e o da Livraria Cultura. Mas para o leitor, ouvinte de primeira viagem dos bazares, vale dar uma olhada no site da banda para conferir o trabalho dos garotos. Uma boa dica, para quem nunca ouviu, é a música "Céu de Cinema Americano".


A galera desavisada conta com a ajuda de Estêvão, que mostra cartazes com a letra da música “Karen Cunha”, pra que todo mundo possa cantar junto



Foto Bônus
(mais uma do seo Jorge Mariano)

Quem abriu as apresentações no último sábado, foi A Sexta Geração da Família Palim do Norte da Turquia que encerrou seu show com a performance estupenda de Hassen Palim que se revelou um grande bailarino naquela noite! (desculpe Hassen, o mundo tem de saber desse seu dom)

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Mortos Assombram a Pequena Antares.


As famílias Campolargo e Vacariano lutam pelo domínio da pequena cidade de Antares, no Rio Grande do Sul, desde que foi fundada no quase imemorial passado dos pampas. Mas a situação política e social do Brasil inspiraram a classe operária a se rebelar contra a Burguesia local e declarar uma greve geral.

Para o azar de sete moradores da cidade: Quitéria Campolargo, a matriarca da cidade; Barcelona, o sapateiro anarquista; Cícero Branco, o poderoso advogado; João da Paz, jovem pacifista que foi torturado; o bêbado Pudim de Cachaça; o pianista suicida Menandro Olinda e a prostituta Erotildes, todos falecidos no mesmo dia, os coveiros da cidade também estão em greve e se aproveitam dos mortos insepultos para pressionar ainda mais os “donos da cidade”.

Apesar do desconforto, tudo correria normalmente se os sete mortos não resolvessem se levantar de seus caixões, deixados no portão do cemitério, e voltar à cidade para exigir um enterro descente e o descanso eterno. Aproveitando-se da liberdade que a morte lhes deu, se vingam dos desafetos e usam o coreto da cidade para revelar os podres dos cidadãos de Antares, de fatos políticos à aventuras sexuais e traições.

Mas não se assustem! Esta história aconteceu em 1963, na fictícia cidade e Antares, local escolhido por Erico Veríssimo, para ser o cenário de seu livro “Incidente em Antares”, que também já foi Mini-Série da Rede Globo. Vamos conhecer mais sobre este respeitadíssimo escritor brasileiro e sua obra.

Erico Lopes Veríssimo, considerado um dos maiores romancistas do país, é pai do Luis Fernando Veríssimo, também famoso escritor brasileiro. Ele nasceu em Cruz Alta, interior do Rio Grande do Sul, em 17 de dezembro de 1905. Durante a juventude Erico trabalhou em vários empregos diferentes até que em 1930 começa a publicar seus textos. Daí pra frente se dedica cada vez mais à literatura. De livros infantis à traduções de clássicos da literatura para o português, passando por coletâneas de contos seus até ensinar literatura brasileira em Universidades Norte-Americanas, Erico sempre se mostrou apaixonado por seu trabalho.

O Magnânimo Érico enquanto criava.

Em 1949 publica o primeiro volume da trilogia “O Tempo e o Vento”, um marco em sua carreira, considerado sua obra-prima. É uma trilogia com mais de 2.200 páginas, que consumiu quinze anos de trabalho. Esse ‘Senhor dos Anéis dos pampas’ conta a história do estado do Rio Grande do Sul de 1680 a 1945 (fim do Estado Novo), através da saga das famílias Terra e Cambará. É considerada a obra mais importante sobre o estado gaúcho e é dividida em três tomos: O Continente (1949), O Retrato (1951) e O Arquipélago (1962). Continuou produzindo muito e ganhando muitos prêmios nacionais e internacionais, mas em 28 de novembro de 1975, o escritor falece subitamente, deixando inacabada a segunda parte do segundo volume de suas memórias, além de esboços de um romance que se chamaria “A Hora do Sétimo Anjo”.

Incidente em Antares, publicado em 1971, foi o ultimo romance de Erico. Influenciado pelo ambiente criado pela ditadura que marcava o Brasil de Vargas, propõe uma crítica ao regime totalitário que valoriza a instituição em detrimento do homem. É sem dúvida um romance político, que narra a disputa pelo poder e critica a sociedade e seus conceitos de honra e exploração econômica.

Capa antiga do Incidente em Antares.
Essa você acha na biblioteca do Colégio!


O livro é dividido em duas partes. A primeira conta a história da fictícia cidade de Antares, desde os seus primeiros registros, quando ainda era apenas uma propriedade rural na margem esquerda do Rio Uruguai. A grande sacada desta parte do livro é a forma que o autor casa perfeitamente a evolução do “Povinho da Caveira” - que se tornará Antares - com a história real do Brasil e dos pampas, incluindo a presença de grandes autoridades políticas do pais na cidade. Aspectos geográficos, sócio-políticos, costumes e curiosidades, tudo está lá, o autor consegue trazer a fictícia Antares para a realidade de uma forma mágica.

A segunda parte do livro se chama “O Incidente” e conta a incrível história que começou naquele dia 13 de dezembro de 1963, que contei no começo desta matéria. É sem dúvida alguma um livro delicioso.

Para quem quiser algo mais, veja esse resumão do livro, mas eu recomendo firmemente a leitura da íntegra. Existe uma edição de vinte e poucos Reais, da Companhia da Letras e, pasmem, já vi até aqui na Livraria Paraná, de Umuarama!

Capa da edição da "Companhia de Bolso".
Qualidade Companhia das Letras e bom para seu bolso.


Cena da Mini-série Global.

Link para mais algumas cenas da mini-série.

domingo, 3 de agosto de 2008

Nós somos os Super-Heróis!


Quando mais novo eu sonhava em ser um Super-herói. Ter poderes incríveis e ser invencível. Desta forma poderia me defender dos “fortões-encrenqueiros” do colégio e impressionar as meninas. Ah, é claro, também ajudaria a fazer do mundo um lugar melhor, ajudando e defendendo a todos que precisassem de ajuda (e assim impressionaria ainda mais as meninas!). Mas a gente cresce e esses desejos acabam perdendo força, já que aprendemos que somos apenas humanos, falíveis e mortais.

Um dia descobri que existe uma forma simples de realizar aquele sonho antigo de ser herói. Bom, na realidade existem várias maneiras, o mundo precisa diariamente de boas pessoas fazendo boas ações, mas falarei de uma em particular, a Doação de Sangue.

Doar sangue é um ato de extraordinária nobreza e simplicidade. Não envolve dinheiro, não prejudica ao doador, já que sangue todos temos de sobra (diferentemente do dinheiro). É simples questão de um pouco de tempo e boa vontade, o que se pressupõe que todos temos.

A demanda por bolsas de sangue é diária e imensa, mas não existe estoque para tanto, pois não há doadores o suficiente. Nos hospitais do nosso Estado estão as vitimas da violência ou do trânsito, pacientes que passaram por cirurgias e diversas outras pessoas que, fatalmente, precisam repor sangue perdido. Mas o que há de se perceber é que, independente dos motivos, são todos seres-humanos precisando de ajuda. Uma ajuda viável e simples, que está literalmente em nossas mãos (e no resto do corpo).

Minha história pessoal como doador pode servir para inspirar alguém, então lá vai:

Sala de Espera do Hemonúcleo

Na semana seguinte do meu aniversário de 18 anos, idade mínima pra ser doador, corri ao hemocentro de Umuarama e fiz minha primeira doação. Tendo doar voluntariamente a cada seis meses, e sou sempre muito bem recebido por lá. Algumas vezes minha saúde não permite a doação, pois além da qualidade do sangue, existe a preocupação com a saúde e o bem estar do doador. Bom, isso não me desanima e continuo a comparecer no Hemocentro periodicamente. O procedimento é rápido: em menos de 40 minutos se preenche os formulários necessários, faz-se a entrevista e doa-se o sangue. Depois ainda rola um lanchinho gostoso que só os doadores sabem como é bom. E tem mais, alguns dias depois da doação, você recebe uma carteirinha de doador e um exame completíssimo do seu sangue. Tudo de graça.

Numa das vezes, enquanto estava tomando meu lanchinho e conversando com as enfermeiras após a doação, elas disseram que o meu sangue estava indo direto para o hospital, pois havia uma moça – casada e com filhos - muito necessitada do meu sangue, e que eu iria salvar sua vida. Saber que meu sangue fez com que filhos continuassem a ter uma mãe viva para abraçar, que um marido poderia continuar a dar um beijo de bom-dia na esposa amada e que dezenas de familiares e amigos não derramariam lágrimas, mas brindariam o dia com sorrisos, me fez ser invadido por um sentimento de missão cumprida, talvez o mesmo sentimento que o Super-homem ou o Batman sentem quando salvam alguém. Naquele momento eu, assim como eles, era um Super-humano.

Muitas pessoas vão doar sangue para repor o utilizado por algum conhecido, mas creio que o grande prazer está na doação voluntária. Ajudar a quem não se conhece, apenas pelo ato de ajudar. Qualquer pessoa com idade entre 18 e 65 anos, boa saúde, mais de 50 quilos, portando algum documento com foto, desde que esteja bem alimentado, pode se candidatar como doador. Não existe motivo para ter medo, o seu organismo não vai mudar, você não vai emagrecer (que peninha...) ou engordar (ufa!); seu sangue vai continuar igualzinho, talvez até melhor, pois a quantidade retirada vai ser renovada por células novas; o material utilizado no procedimento é completamente descartável e o atendimento é feito em um ambiente limpo e acompanhado por profissionais de saúde capacitados. A satisfação é garantida!

A equipe mais sorridente e prestativa do Paraná.

A sala de doações.

Se você sentiu uma vontade louca de salvar vidas e, como eu, acha que doar sangue não é o suficiente, converse com o pessoal do Hemocentro sobre a doação de Medula Óssea. Ali mesmo existem folhetos explicativos e muita gente que entende do assunto para te ajudar a salvar mais e mais pessoas de formas diferentes.

Lembrando também da doação de Órgãos e Tecidos, a qual pode ser feita através da simples manifestação de vontade do doador. Portanto, deixe todo mundo sabendo da sua vontade de ajudar. Visite o site: http://www.adote.org.br e se informe mais.

Salvar o mundo todo pode ser coisa para os heróis do gibi, mas garanto que você não vai fazer feio salvando algumas vidas.

Para quem interessar, o endereço do Hemonúcleo de Umuarama é: Av. Manaus, 4.444, esquina com a rua Desembargador Lauro Lopes, ao lado do Centro Cultural Schubert, no Centro Cívico. O atendimento é realizado das 8h às 12h e das 14h às 16h.

Apareça por lá!


Espalhe a idéia, coloque o banner abaixo em seu blog ou site!

e faça o link para este endereço:
http://culturanja.blogspot.com/2008/08/ns-somos-os-super-heris.html

quinta-feira, 17 de julho de 2008

"O MAIOR ROMANCE JÁ ESCRITO"


***


Talvez somente o fato de que gênios, Freud e Einstein, entre outros, tenham declarado considerarem-no o maior romance já escrito, motivasse a que eu lhes indicasse a leitura de Irmãos Karamazovi, por Dostoiévski, último volume da obra deste e sua magnum opus; mas a autoridade e a qualidade desta sua realização, isoladamente consideradas, prescindem de tais socorros, tornando-as, essas opiniões, umas suas vaidades.


O parricído na família Karamazov é o plano de fundo para o mais jovem filho da vítima, Alexei, junto dos dois irmãos e dos outros personagens maiores na trama, mas, para o primeiro, principalmente por causa destes, enfrentar dúvidas existenciais às quais suas disposições naturais na infância e a rotina, os ensinamentos em um mosteiro, posteriormente, o protegeram, por parte de sua vida, perturbadas pelos últimos, como se fossem rajadas de vento, vindas de todos os lados, que o atingissem.



Página 03 da 1ª edição russa.


Deus existe; se meu sábio irmão Ivan contesta o que me disseram os monges? Devo ser cúmplice de meu irmão Dmítri, suspeito de assassinar meu pai? Merecia esse meu agora defunto progenitor, em toda sua vileza, destino mais benigno? Caso-me? Devo fornicar com a mulher protagonista da desgraça lançada sobre minha família, porque é bela e diz desejar-me? Teria esta família um diferente desfecho, da forma que começou e com o andamento tortuoso daqueles responsáveis por tocá-la, dos quais dependia para prosperar? Felizmente Alexei estava bem agasalhado por suas concepções religiosas, e não sofreu senão de um leve resfriado ideológico. Entretanto podem perceber, espero ter conseguido demonstrar, que a coisa é mais complexa que um who-done-it hollywoodiano ou um quem-matou-Lineu global.


Se ainda houver insatisfeitos que gostam de saber o que há para além da contra-capa da obra, alguma circunstância interessante a esse respeito vale dizer-lhes. Por exemplo, o modelo para o pai dos protagonistas foi o papai do autor, um proprietário de terras abusivo assassinado por empregados revoltados; e Alexei foi uma homenagem ao pequeno filho falecido de Dostoiévski. Em um painel maior, há a crítica a filósofos russos cujas idéias eram celebradas, à época da publicação: o niilista Ivan Karamazov provavelmente o seja ao Bazarov de Pai e filhos. Finalmente quero que, por favor, atentem o olhar histórico sempre presente, característica esta a que Tolstói resumiu, injustificadamente, os esforços de Fiódor Dostoiévski na arte da literatura.

O autor.


Sem mais... VALE!


P. S.: Aqui têm o livro em português, hospedado no todo-poderoso Scribd.

sábado, 5 de julho de 2008

A Nova Ordem Começa em Casa.

Olá, voltamos após uma semana de "folga". Posso dizer que o texto abaixo é um texto necessário. Foi feito com muito carinho, pelo grande amigo "Maranhão". Muitos o lerão e só. Mas muitos o lerão e sentirão uma necessidade de agir, reverenciarão princípios que hoje são, muitas vezes, tratados com desdém e refletirão sobre a evolução da eterna necessidade de Paz e Amor. A escolha é sua.

José Carlos Gonçalves, conhecido mundialmente como Maranhão é um grande amigo e guru. Foi bancário, professor e agora e sempre é escritor de Umuarama. Já teve seus trabalhos (poesia e prosa) publicados em vários periódicos, coletâneas e antologias. É, com certeza, um cara a se ler. Ah! e é também alguém a se encontrar num churrasquinho, molhar a goela e por-se a filosofar junto. Imperdível.

Aproveitem a leitura.

Arte, Cultura e Sociedade - O (En) Fim De Um Sonho

Por José Carlos 'Maranhão'


A maioria dos discursos, tanto nos Fóruns Sociais, mundo afora, como nas mais diversas esferas ecológicas, políticas, econômicas, eclesiásticas e “hortifruti” em geral, fala da necessidade de uma “nova ordem” em fortes bases democráticas.

Parece-nos que está nascendo uma nova era de utopia, que clama por liberdade ampla, tanto para as ações como para as idéias. Todo esse debate nos transporta ao final da década de 60, quando a palavra de ordem foi uma só: AMOR.

Talvez aquele período tenha sido cicatrizado com as mortes de nomes tão fundamentais da música como Jimi Hendrix, Janis Joplin, Jim Morrison (Doors), Brian Jones (ex-Stones), ou, talvez, tenha sido o tempo que não morreu e nunca morrerá, tempo esse em que a utopia alcançou o seu ápice.

Muitos o viveram do lado de dentro, acordados durante o sonho da nação Woodstock, e de outros festivais. Naquele momento, “Paz e Amor” não foi apenas uma frase, pois a sua importância foi tão grande, a criatividade girou em órbita tão alta, que vale a pena levantar a cortina e relembrar o que poucos sabem a respeito do movimento “hippie”, que a música imortalizou para sempre, criando um mundo de idéias e uma nova ideologia:

Foi um fenômeno único na História. Nunca a música teve tanta importância, figurando no centro de profundas mudanças no indivíduo e na sociedade. Pela primeira vez o mundo experimentou uma revolução que não seguiu o caminho político, nem militar. Foi uma espécie de guerrilha cultural, de um movimento espontâneo e insinuante que, apossando-se dos meios de comunicação ou criando canais alternativos, conquistou simpatizantes por toda parte e ameaçou colocar a Utopia no poder. Foi como um sonho de verão e durou pouco, mas ao se deixar devorar pelo Sistema, essa contracultura injetou nele – Sistema – para sempre uma gama de novos valores, e as coisas nunca mais foram como antes.

Hoje é difícil imaginar e entender o “poder jovem” e os “hippies” sem associá-los ao “Rock”, o som que cadenciou aqueles anos de luta contra o Sistema e de procura do Prazer Absoluto.

A crônica dos Anos de Utopia começou no fim de semana de 16-18 de junho de 1967, no Monterey Pop Festival, inspirado nos festivais de “jazz” e “folk”. Eram esperados 7.100 expectadores, mas acabou aparecendo mais de 50 mil, a maioria sem ingresso.

Esse contingente pensava que o importante era estar lá, fiel ao “slogan” do festival: MÚSICA, AMOR E FLORES. Próxima de San Francisco, na costa da Califórnia, Monterey atraiu não só as hordas de “hippies” sanfranciscanas, mas também seus melhores grupos de rock. Nele desfilaram, por exemplo, The Who, Eric Burdon & The Animals, Jeff Airplane, The Mamas and Papas, Canned Heat, Country Joe and Fish; mostrou também o nascimento instantâneo de duas estrelas do rock: Janis Joplin e Jimi Hendrix, hoje mitos.


Desde janeiro daquele ano estavam acontecendo, em San Francisco, os preparativos para o tão anunciado “Verão do Amor”. Os “hippies” da cidade deram uma demonstração de força ao convocarem uma “Reunião de Todas as Tribos” no Golden Gate Park para o chamado World’s First Human Be-In, onde mais de vinte mil “ciganos brancos”, cantando, dançando, cobertos de flores, de colares e pulseiras de contas, profetizaram que cem mil flower children invadiriam a cidade em junho para o verão do amor.

Uma canção de Scott McKenzie, intitulada San Francisco, propagava o verão do amor e pedia a todos que não se esquecessem de colocar flores nos cabelos; um verdadeiro manifesto “hippie” que dizia All across the nation/ Such a strange vibration/ People in motion/ There’s a whole generation/ With a new explanation... ou seja, Através de toda a nação/ Há uma estranha vibração/ Todo um povo em ação/ Há uma nova geração/ com uma nova explicação...

Jornais da época diziam que havia um “proletariado freudiano” à solta; outros diziam haver “expatriados vivendo em nossas praias, mas além da sociedade”. O historiador Arnold Toybee falou em “um sinal vermelho para o American way of life”.

O bispo James Parker, da Califórnia, disse que o movimento evocava os primeiros cristãos, pois, havia algo no temperamento e na qualidade daquelas pessoas, uma suavidade, uma calma, um interesse, algo bom, mas, para seus pais, profundamente preocupados, eles mais pareciam párias sociais perigosamente iludidos, candidatos a uma boa surra e a um curso intensivo de moral e civismo.

Qualquer que tenha sido o seu significado ou o seu objetivo, os “hippies” emergiram no cenário norte-americano naquele período com uma subcultura totalmente nova, uma bizarra permutação do ethos da classe média americana do qual evoluíram.

Duas correntes – a cultura e a política – se fundiram em 1969, o ano dos grandes festivais, cujo ponto maior foi o fim de semana de 15-17 de agosto. O Woodstock Music & Art Fair, subtitulado “Primeira Exposição Aquariana”, prometeu três dias de paz e música, slogan depois transformado em “três dias de paz e amor”.

Aquela epopéia foi vivida por mais de 500 mil pessoas, que, movidas a Rock in roll e muita bebida, é lembrada até hoje como um sonho – para uns – ou um pesadelo – para outros. O certo é que muitos jovens, em 69, estavam dispostos a ir à luta armada para uma nova Guerra de Secessão, ou Guerra da Independência, contra os Estados Unidos.


A partir de então, o Sistema passou a se sentir vulnerável, reprimindo à força e considerando como invasão e ameaça todos os movimentos musicais ou estudantis. Os festivais prosseguiram e prosseguem até hoje, mas sem a força de um Woodstock ou Monterey.

Assim, restam apenas as lembranças, cunhadas em panfletos, que viraram relíquias, como as do movimento do Parque do Povo de Berkeley que diz: “Todo mundo deveria poder se expressar e se desenvolver através da arte, do artesanato, trabalho, dança, escultura, jardinagem e todos os meios abertos à imaginação. O material será colocado à disposição de todas as pessoas. Desafiaremos todas as restrições puritanas contrárias à cultura e ao sexo. Contaremos com meios de comunicação – jornais, cartazes, panfletos, rádio, televisão, filmes e anúncios de fumaça no céu – para divulgar nossa comunidade revolucionária. Cessaremos com a poluição da Terra; nossa relação com a natureza será guiada pela razão e pela beleza muito mais do que pelo lucro. A civilização de concreto e plástico será derrubada e as coisas naturais respeitadas. Fundaremos comunas urbanas e rurais onde as pessoas possam encontrar expressão e comunicação...”

Não pretendemos aqui fazer apologia aos americanos, muito pelo contrário. Mas pensamos que muito do que está acontecendo de novo agora, no Brasil, e especialmente nos Fóruns Sociais, provocantes e engajados na política, na educação, nas artes e nas relações sociais – amor, fraternidade, família, comunidade – é criação, ou da juventude que se acha profundamente politizada, ou daqueles que se dirigem primordialmente aos jovens.

A exemplo da geração “hippie”, nós temos sonhado com uma nova revolução. Não como as do passado, armadas, mas como aquela utopia dos anos 60: com origem no indivíduo e na cultura, mudando a estrutura política apenas no final. Não recorrendo à violência para vencer e não podendo ser vencida pela violência.

Essa seria a revolução da nova geração, na qual a contracultura, primeiro ou último recurso sócio-político, viria não tanto da força da música, mas da força de vontade dos excluídos ou daqueles que tenham a coragem para se opor a um mundo conservador, cercado, enjaulado e subjugado por esse sistema econômico selvagem e ultramercantilista existente no mundo, hoje, globalizado.

A nossa energia imaculada e pacífica não deve se transformar em uma vasta e bocejante sensação de futilidade, onde parece não haver saída - problema que nos tira o sono e a vontade de lutar e de viver - porque nada é tão contagiante como o gosto pela liberdade.

Ser livre é ser revolucionário e alegre; arriscar-se é sinônimo de liberdade, pois o máximo de segurança representa a escravidão. E o que buscamos não é uma relação onírica, mas a certeza de uma liberdade plena.

“Paz e Amor”, foi e continua a ser um slogan válido para todos os lugares e tempos.

sábado, 21 de junho de 2008

Ainda há Tempo!

Prólogo:

Vasculhando textos perdidos, encontrei esta resenha, ainda inédita sobre um evento bem especial. Não poderia deixá-la de lado, natimorta. Espero que gostem!

Cadê a Corneta?!?


Quando você ouve falar “Grupo Vocal” a primeira coisa que lhe vem na cabeça é: “Tédio...” ? Bom, você pode acertar algumas vezes, mas não quando falamos do grupo Vocal Tempo, de Cuba. Nessa hora você está 100% enganado.

Graças a exemplar iniciativa do SESC e da Fundação Cultural de Umuarama, pudemos ter o privilégio de apreciar, nesta sexta-feira, 25 de Abril, no Centro Cultural Schubert (lotadíssimo), o espetáculo vocal de nossos hermanos cubanos. Com um repertório composto em sua maior parte de música latina (bolero, mambo, cha-cha-cha...) e algo das big bands norte-americanas dos anos 50, o grupo fez um show excelente, diferente e animado.

Exclusivamente munidos dos vocais, eles reproduzem o som de todos os outros instrumentos, como percussão, contra-baixo, trompete, corneta, guitarra e tudo mais o que for preciso para reproduzir as músicas, além, é claro, dos vocais cantados normalmente. A afinação das vozes e a proximidade do som que imitam com o timbre original dos instrumentos é surpreendente.

O grupo Vocal Tempo existe desde 1998, quando seus seis integrantes (os mesmos até hoje) cursavam a faculdade de música em Cuba. Uma das disciplinas do curso, desenvolvia essa técnica de usar a boca para imitar os sons de instrumentos musicais. Adotaram e desenvolveram a idéia e hoje são os melhores do mundo neste ramo. O grupo já acumula centenas de apresentações pelas Américas e Europa, e estarão pelo Brasil apenas durante o mês de Abril, com apresentações quase que diárias em diversas cidades. Portanto, quem perdeu, perdeu bonito! Sobraram os Youtubes da vida pra matar a lombriga, ou a saudade pra quem conferiu.


"Yo Quiero Mambo!"

Mais informações: www.vocaltempo.com

sábado, 14 de junho de 2008

"Ó Pátria amada, idolatrada, salve, salve"?!?

Ainda há quem duvide que Brasil tenha tecnologia suficiente para se conectar com o mundo todo. Saiba você que aqui já tem televisão, redes telefônicas, computadores de acesso rápido à internet, e até o tal do MSN. A comunicação aqui existe e não tem ruído. O brasileiro que é brasileiro, não tem problemas com o diálogo, por isso é acostumado a esclarecer situações por meio desses avanços tecnológicos; principalmente em público né?! Porque brasileiro adora aparecer.
Político aqui é igual pescador, vive contando histórias. Histórias que dão o que falar. Na maioria das vezes, absurdos, absurdos que viram espetáculo. Sim, um espetáculo público transformado, vira e mexe, em CPI, tudo p
orque brasileiro adora aparecer.
E os programas que alegram nossas tardes?! Pérolas televisivas em que o brasileiro aparece para desabafar, contar causos, acusar o parceiro ou a parceira de traição, saber quem é o pai do filho ou o filho querer conhecer o pai. Tudo em público, porque brasileiro adora aparecer.
Nossas músicas já não são mais gritos de liberdade, nem hinos de louvor. Já não fazem mais sentido se não embalarem casais apaixonados em novelas de sucesso ou fazer “tchutchucas e tigrões balançarem a melancia”. Os bailes já não são mais saraus, são “baladas” no final de semana. Um mais “bombado” que o outro. E tudo isso porque brasileiro adora aparecer.
Falar de amor no Brasil é moleza, aqui até se morre por amor. Basta acompanhar o noticiário para saber quantos assassinatos acontecem diariamente envolvendo namorados, irmãos, pais, mães, avós, Izabellas, Ops! Quer dizer, menininhas indefesas... E tudo isso, claro, é publicamente “investigado”, para não dizer “sensacionalizado”. E por quê??? Só por que brasileiro adora aparecer?!?

* Foto de João Araújo
Não se notam as plácidas margens; e quase não se vê na TV, o povo heróico. O sol da liberdade? Hoje brilha no céu com seus raios que ardem na gente. E nem me fale em igualdade. Não mostram mais as conquistas com braço forte.
A liberdade? Essa continua a desafiar-nos até a morte. A Pátria amada, idolatrada, salve, salve... continuo buscando. Um Brasil de um sonho intenso, de amor e de esperança, com um formoso céu, risonho e límpido, resplandecente. Gigante pela própria natureza. Belo, forte, impávido colosso! Espero, no futuro, toda essa grandeza, para que a minha Terra adorada, também seja a de mil, de todos os filhos deste solo, a mãe gentil, pátria amada que, apesar de tudo, ainda é o Brasil!

sexta-feira, 6 de junho de 2008

DON'T TRY!

***

Charles Bukowski (1920; 1994) queria ser honesto quando escrevia seus livros, característicos e inseparáveis de seu autor ao que devem por seu sucesso e à originalidade que possuem; a velha fórmula que nunca falha; uma coisa simples e direta sempre vai ter um charme especial, um apelo muitas vezes difícil em ser definido, como a razão de muitas mulheres amarem os homens mais cafajestes, atraíram - e ainda o fazem - aos mais diversos leitores.


"Eu certamente nunca seria capaz de ser feliz, me casar, nunca poderia ter filhos".


Ele escrevia somente o que sabia exatamente ser conhecedor, visando - ao contrário de outros na história da literatura, que eram artífices maravilhosos, sem dúvida, mas não muito preocupados na verossimilhança ao ponto em que a ficção de Bukowski chegou - mais retratar, por dentro e fora, uma alma em seu, assim me permitam chamar, habitat.

Já mencionei algo sobre o "Um retrato do artista quando jovem", e agora chamo à atenção de vós outros um outro roman à clef, escrito pelo velho Hank, "Misto quente", publicado em 1982 pela folclórica editora americana Black Sparrow, já extinta. Acompanha a infância, a puberdade e o início da vida adulta do velho amigo da vizinhança bukowskiana (não é o Homem-aranha!), Henry Chinaski, vivendo, paupérrimo, com sua mãe e a cruel (para com esta e para com ele, o filho, também) figura paterna, que enfrentava dificuldades em aceitar a pobreza e o desemprego à sua volta e a ignorar o que acontecia, como se houvesse se transformado em um Don Quixote "do-mal", abusando física e mentalmente do garoto; tratando todos com desdém, traindo a esposa, e até, certa vez, intentando dar a entender que não havia perdido o emprego aos moradores do bairro, sair durante uma época com o carro todos os dias pela manhã, teoricamente para trabalhar; ou matriculando Chinaski Jr. em uma escola a quilômetros da residência da família, porque era "melhor freqüentada", por filhos de famílias não tão afetadas pela Depressão após a queda da Bolsa de Valores de New York em 1929... - Bem, segue a lista!


O jovem Bukowski comportadíssimo, ao seu costume.


A narrativa pinta o garoto tornando-se uma espécie de Frankenstein, marginalizado por causa de sua aparência "monstruosa" (ele sofreu de um caso gravíssimo de acne durante anos); aprendendo a beber, a não levar desaforos consigo sem resposta, a jogar; convidando-nos para dentro do sofrimento do protagonista, alienado a um grau mais intenso a cada capítulo. Aposto que, contraditório que pareça, irão adorar caminhar junto da Los Angeles que só ele viu e desnudou , como todo leitor experimentado de Charles Bukowski aprendeu já a fazer.

Sem mais, boa leitura! VALE.

P. S.: A ligação para o livro eletrônico "Misto quente".

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Crítico é quem domina

A crítica é por si só uma perturbação. No caso da crítica cultural, a perturbação à arte e ao artista. A impropriedade da crítica cultural, no que diz respeito ao conteúdo, não decorre tanto da falta de respeito pelo que é criticado. No gesto acusatório da crítica, o crítico mantém a idéia de cultura firmemente isolada, inquestionada e dogmática.

O crítico de arte sempre incorpora a diferença no aparato cultural que gostaria de suplantar - aparato que precisa dessa diferença para poder se apresentar como cultura. Então, ele faz dessa pretensão um privilégio seu, perdendo até sua legitimação, “remando contra a maré do teor da arte em que julga”. Contudo, ele não pode se descuidar, afinal, pode acabar tornando sua crítica tão obsoleta quanto tudo o que critica.

Se alguém estudasse a profissão de crítico encontraria certamente em sua origem um elemento usurpador. A função do crítico está ligada a sua liberdade de opinião. O conceito dessa liberdade é o mesmo que a sociedade impõe, uma idéia de liberdade espiritual latente na sociedade burguesa, na qual a crítica se baseia, possui a sua própria dialética.


A cumplicidade da crítica cultural com a cultura não reside na mera mentalidade do crítico. É ditada, sobretudo, pela relação do crítico com aquilo que ele trata. Ao fazer da cultura o seu objeto, o crítico torna a objetivá-la. A crítica cultural somente pode reprovar tão incisivamente a cultura por sua decadência apontada como uma violação da pura autonomia do espírito, uma prostituição, porque a própria cultura surge da separação radical entre o trabalho intelectual e o trabalho braçal. A existência da crítica cultural, qualquer que seja seu conteúdo, depende do sistema econômico que está atrelada ao seu destino, ou seja, toda arte está em ligação em condições econômicas e a crítica é que define os valores para determinada arte.

Já que estabelece ligação com a economia, então, toda arte ou profissão ligada à cultura está sujeita à avaliação da sociedade, uma avaliação que pode ser positiva ou negativa. Em função da exposição da cultura, o crítico pode ser até exagerado. Faz de sua análise o propósito de influenciar, na sociedade, o objeto da cultura avaliada. O crítico tem de ter uma “cultura superior” à cultura de massa, mas sem deixar de entendê-la, para que com isso possa influenciar e até persuadir a sociedade no seu modo de pensar e agir. Trocando em miúdos, deve-se conhecer muito bem o assunto, por mais bizarro que seja, para poder discutir com segurança, respeitando, claro, as opiniões alheias. Como diria a minha avó: "vejo tudo o que passa na TV, por pior que seja, porque só conhecendo é que vou poder falar mal". Assim, critica quem domina, não quem vive de aparências. Crítico pode ser eu, pode ser você e até a minha avó!

Ler Devia Ser Proibido!



Esta é uma campanha de incentivo à leitura idealizada, trabalhada e apresentada por: Deborah Toniolo, Marina Xavier, Julia Brasileiro, Igor Melo, Jader Félix, João Paulo Moura, Luciano Midlej, Marcos Diniz, Paulo Diniz, Filipe Bezerra. (Alunos do 2ºano - turma pp02/2003 - do curso de Publicidade e Propaganda da UNIFACS - Universidade Salvador), com texto adaptado de Guimar Grammont (clique para o texto original) O vídeo foi encontrado no site Youtube.

Pensemos de onde surgem as invenções como aviões, espaçonaves, telefones, telefones celulares, televisão e demais utilidades que nos deixam bem confortáveis hoje. Certamente não é da mente de alguém sem imaginação. Nada mais do que uma ótima reflexão para aqueles que, ainda hoje, falam sem vergonha alguma: “Eu odeio ler”, como se fosse algum mérito ter a cachola vazia.