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quarta-feira, 9 de junho de 2010

Culturanja, 30 de Maio de 2010.

Página publicada originalmente no Jornal Umuarama Ilustrado, de Umuarama, Paraná, no dia 30 de Maio de 2010. Para ler as edições da antiga Cultura & Arte, clique aqui.

Ângela Russi :
- Era Uma Vez.

Jair Junior Monteiro Solin :
- Corpo de M e Peito de P : O Impeachment do Rei da Cocada Preta

Thiago Calixto :

- Palmadinhas.




sábado, 30 de janeiro de 2010

Culturanja, 24 de Janeiro de 2010

Página publicada originalmente no Jornal Umuarama Ilustrado, de Umuarama, Paraná, no dia 24 de Janeiro de 2010. Para ler as edições da antiga Cultura & Arte, clique aqui.

Ângela Russi :
- Lixo [foto por Thiago Casoni]

Caroline Guimarães Gil :
- Ensaio do Ser [Poesia]

Tiago Lobão Inforzato :
- As Várias Distâncias.

Thiago Calixto :
- Liquefação.


quinta-feira, 22 de maio de 2008

O Mal-Estar Nosso de Cada Dia.

por Thiago Calixto


Medo, do latim metu, significa perturbação resultante da idéia de um perigo real ou aparente ou da presença de algo estranho, perigoso. Medonho, portanto, que mete medo, horrendo. O que, homem, que lhe incute pavor? Muitos são os nomes, mas não são ditos. Não podem ser ditos.

Que é esse estado inundado pelo incomensurável vazio de existir?

Que dor é essa que lhe esculpe o corpo?

Que tristeza é essa que clama a pílula da ignorância?

Que fome é essa devoradora daquele seio destroçado?

Que sede é essa que o álcool não aplaca?

Que sintoma é esse que grita via agressão?

Que me diz desse fanatismo ansioso frente ao desamparo?

A compreensão dos meandros vitais da humanidade e como corolário, da sociedade hodierna e suas inter-relações, foi-nos legado, mediante a natureza atemporal da Psicanálise, cujo criador, reputado Sigmund Freud, nascido à pequena Freiberg, antiga Morávia engendrou, especialmente, nos idos de 1929.


Freud à época supracitada.


Trata-se do clássico “O Mal-Estar na Civilização”, resultado do investimento, incansável e laborioso, de sua pena ao papel, cuja atividade se manteve inflexível - considerando a extensão holística de sua obra, iniciada em 1886 e encerrada tão somente em 1940 com “Esboço de Psicanálise” – até ser vencido, em Londres, pelo câncer (boca e mandíbula).


O trabalho em questão.


Na ânsia de absorver essa comunidade designada humana, deixo aqui minha dica de leitura, árdua e inquietante, conforme os “preceitos” deste ilibado e democrático espaço Culturanja, sem obviamente me furtar de consignar assertiva freudiana quando da queima de uma pilha de seus livros pelos nazistas: “é um progresso o que está se passando. Na Idade Média, eles teriam jogado a mim na fogueira, hoje em dia contentam-se em queimar os meus livros”.

Nietzsche diria (...) “ó humano presta atenção”!

Seguindo a tradição, data maxima venia, VALE!


terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Calixto, o novo Hortifrutigranjeiro.

Thiago Calixto, conhecido mundialmente como "Tica", é meu amigo de longa data. Nossa amizade remonta aos remotos tempos do "ginásio", tanto tempo faz que nem se chama mais assim. Tem 27 anos e é bacharel em Direito, atualmente acadêmico do curso de Psicologia na pequena Umuarama, interior do Paraná. Participante pelo terceiro ano consecutivo de projeto de pesquisa em Psicologia Jurídica, bolsista do PIBIC da Universidade Paranaense.

Calixto já teve suas andanças mundo afora, morou um tempo em Londres, Londrina, São Paulo e agora está novamente em Umuarama. E que felicidade a minha em reencontrar esse grande irmão e sabê-lo produzindo literatura. Não poderia deixar de colocá-lo na turma dos malucos literatas da cidade.

Poesia e prosa, a produção desse nosso novo compadre é bem abrangente, de temática diversa e muitas vezes hermética, personalíssima e sempre interessante. Além de ser o novo hortifrutigranjeiro do Culturanja, Tica também publica seus trabalhos no site Recanto das Letras, vale a visita.


Alzheimer


Um dos meus defeitos é não gostar da sensação de impotência diante de qualquer situação. Obviamente uma postura controladora e narcisista, mas enfim. Na leitura da doença de Alzheimer, alguns aspectos me marcaram amargamente: primeiro, por ser a causa mais comum de demência entre adultos, o que a princípio seria caso de preocupação individual não o é, mas sim um problema de saúde pública; segundo, por ser um mal degenerativo, letal e incurável, daí minha angústia descrita na primeira linha do ora discutido; terceiro, pelo fato de atacar a memória e as habilidades motoras, o que, em uma análise não científica, é capaz de embargar a voz e encher os olhos d’água.

Na minha escala de valores tenho a liberdade como nosso segundo bem maior, logo abaixo da própria vida, embora com certas condições. E quando leio “destruição de neurônios”, e conseqüente perda de memória, penso em dependência, em grilhões. Imagino a pessoa presa em sua própria alienação, desconhecendo amigos e parentes. Isso me remete à película “Mar Adentro”, a qual retrata, em seu momento derradeiro, a personagem portadora de uma doença degenerativa que não se lembra do grande amor de sua vida. Recebe de uma amiga uma carta do homem que transformou a sua vida, embora não saiba mais quem ele era. Perco-me em devaneios acerca desta questão. Vinícius de Moraes, nosso “poetinha”, dizia que a vida é a arte do encontro. O quão triste deve ser não recordar os momentos belos vividos, as pessoas maravilhosas encontradas no caminho, os lugares fantásticos outrora visitados. Mais penoso talvez para aqueles que amam o portador da doença, o que não deixa de ser doloroso para alguém.

A afetação da habilidade motora é outro aspecto crucial, posto que o enfermo, em sentido conotativo, volta a ser uma criança de colo, na senda de que necessita todos os cuidados triviais, como por exemplo, vestir-se, alimentar-se. Aqui vislumbro também a dependência dita a pouco, que torna o homem privado de autonomia sobre sua vida. Vem à cabeça a imagem fantasiosa de um cérebro, no qual cada emaranhado é uma pessoa amiga, uma reminiscência saudosista, um lugar de se conhecer nas férias, e o mal de Alzheimer seria como uma espécie de incêndio que se alastra, queimando tudo isto. É como se Deus retirasse a pessoa de seu interior, levando-a para junto dele e só deixasse o invólucro sem vida. Um indivíduo que apenas respira, contudo não se recorda dos suspiros.