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terça-feira, 22 de junho de 2010

Culturanja, 20 de Junho de 2010

Página publicada originalmente no Jornal Umuarama Ilustrado, de Umuarama, Paraná, no dia 20 de Junho de 2010. Para ler as edições da antiga Cultura & Arte, clique aqui.

Ângela Russi :
- Ambiguidade

Jair Junior Monteiro Solin :
- O Grotesco e o Sagrado.

Thiago Calixto :
- Ver Não é o Mesmo que Olhar

Ney Poeta :
- Gralha Azul




Culturanja, 13 de Junho de 2010.

Página publicada originalmente no Jornal Umuarama Ilustrado, de Umuarama, Paraná, no dia 13 de Junho de 2010. Para ler as edições da antiga Cultura & Arte, clique aqui.

Ângela Russi :
- Com Esses Não Há Quem Possa.

Jair Junior Monteiro Solin :
- Jardim de Dentes.




segunda-feira, 29 de março de 2010

Culturanja, 28 de Março de 2010.

Página publicada originalmente no Jornal Umuarama Ilustrado, de Umuarama, Paraná, no dia 28 de Março de 2010. Para ler as edições da antiga Cultura & Arte, clique aqui.

Ângela Russi :
- A Xícara [foto por Thiago Casoni]

Tiago Lobão :
- Microcosmo [Poesia]

Jair Junior Monteiro Solin :
- Do Coração às Tripas [Poesia]

quinta-feira, 25 de março de 2010

Culturanja, 21 de Março de 2010

Página publicada originalmente no Jornal Umuarama Ilustrado, de Umuarama, Paraná, no dia 21 de Março de 2010. Para ler as edições da antiga Cultura & Arte, clique aqui.

Ângela Russi :
- Bom Dia [foto por Thiago Casoni]

Jair Junior Monteiro Solin :
- Carta de Amor : Da Recém Viúva




segunda-feira, 15 de março de 2010

Culturanja, 14 de Março de 2010.

Página publicada originalmente no Jornal Umuarama Ilustrado, de Umuarama, Paraná, no dia 14 de Março de 2010. Para ler as edições da antiga Cultura & Arte, clique aqui.

Ângela Russi :
- Alarmes. [foto por Thiago Casoni]

Caroline Guimarães Gil :
- Um Corpo Desacostumado - Parte VI [Novela]

Tiago Lobão Inforzato :

- O Vizinho Barulhento


sábado, 13 de março de 2010

Culturanja, 07 de Março de 2010.

Página publicada originalmente no Jornal Umuarama Ilustrado, de Umuarama, Paraná, no dia 07 de Março de 2010. Para ler as edições da antiga Cultura & Arte, clique aqui.

Ângela Russi :
- Mulher Feia? [foto por Thiago Casoni]

Caroline Guimarães Gil :
- Um Corpo Desacostumado - Parte V [Novela]


terça-feira, 2 de março de 2010

Culturanja, 28 de Fevereiro de 2010.

Página publicada originalmente no Jornal Umuarama Ilustrado, de Umuarama, Paraná, no dia 28 de Fevereiro de 2010. Para ler as edições da antiga Cultura & Arte, clique aqui.

Ângela Russi :
- Impermeável. [foto por Thiago Casoni]

Caroline Guimarães Gil :
- Um Corpo Desacostumado - Parte IV [Novela]

Tiago Lobão Inforzato :

- E a Quaresma Chega Novamente [Conto, Gravura por Paulo Tanoeiro]


segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Culturanja, 31 de Janeiro de 2010

Página publicada originalmente no Jornal Umuarama Ilustrado, de Umuarama, Paraná, no dia 31 de Janeiro de 2010. Para ler as edições da antiga Cultura & Arte, clique aqui.

Ângela Russi :
- O Inimigo [foto por Thiago Casoni]

Caroline Guimarães Gil :
- O que?! Como assim?! Isso é injusto!

Tiago Lobão Inforzato :
- O Livro da Vez [Literatura, sobre o livro "A Bola da Vez" de Fábio Brazil]




sábado, 30 de janeiro de 2010

Culturanja, 24 de Janeiro de 2010

Página publicada originalmente no Jornal Umuarama Ilustrado, de Umuarama, Paraná, no dia 24 de Janeiro de 2010. Para ler as edições da antiga Cultura & Arte, clique aqui.

Ângela Russi :
- Lixo [foto por Thiago Casoni]

Caroline Guimarães Gil :
- Ensaio do Ser [Poesia]

Tiago Lobão Inforzato :
- As Várias Distâncias.

Thiago Calixto :
- Liquefação.


segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Culturanja, 17 de Janeiro de 2010.

Página publicada originalmente no Jornal Umuarama Ilustrado, de Umuarama, Paraná, no dia 17 de Janeiro de 2010. Para ler as edições da antiga Cultura & Arte, clique aqui.

Ângela Russi :
- Coragem. [em homenagem à Doutora Zilda Arns, fundadora da Pastoral da Criança.]

Caroline Guimarães Gil :
- O Menino que Consertou o Mundo.

Tiago Lobão Inforzato :
- Umuaramenses com Circulação Nacional.


Culturanja, 17 de Janeiro de 2010                                                                                                                                            

 

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

E afinal, qualé a do Culturanja?

Os dissidentes dos Power Rangers, Bruno, Lobão e Nevilton se juntam numa nova força, o Culturanja.


Pois é, ainda envolvido nos arquivos culturânjicos, encontrei desta vez uma entrevista que os adoráveis Culturanjers deram para a sessão Ponto de Vista da página Qual é a Sua?, de Achiles Delari Junior, no jornal umuaramense A Tribuna do Povo. A entrevista foi publicada no dia 13 de abril de 2008 e está aí embaixo, do jeitinho que saiu no jornal, o que inclui a foto com o grande Sócrates, essa arte psicodélica do Nevilton e alguns lances subliminares marotos. Uh-lalá!

Ponto de Vista:




O Grupo Culturanja vem tomando iniciativas interessantes no campo da cultura em nossa cidade, como seu blog, publicação de artigo no Espaço do Leitor d’A Tribuna e sua "literatura de bolso". Além disso, participou na Conferência Municipal de Políticas Públicas para a Juventude, defendendo uma “ideologia do bom humor” e da “participação”, sem postura política definida.




Qualé?: Como e quando surgiu o grupo Culturanja, quem o compõe, e quais os seus objetivos?

Culturanja: Surgiu da necessidade de um meio para publicarmos o que vínhamos produzindo, com isso acabaríamos incentivando outras pessoas a tentarem fazer o mesmo e no final teríamos mais manifestações artísticas e culturais na cidade. O grupo é composto por Nevilton de Alencar, Tiago Inforzato, Bruno Peguim e outros amigos interessados em se expressar.


Qualé?: Quais as atividades ou táticas atuais do grupo no sentido de cumprir com os seus objetivos?

Culturanja: Temos um site com resenhas e contos, abrangendo vários temas, e a versão impressa, em formato de “leitura de bolso”, que distribuímos nas ruas e em eventos culturais da cidade.


Qualé?:Qual foi a participação do Culturanja na Conferência Municipal de Políticas Públicas para a Juventude e qual tendência política e ideológica vocês defenderam lá?

Culturanja:
Distribuímos um manifesto que, além de parabenizar os que participavam, incentivava as pessoas a serem ativas, a continuarem com aquelas práticas de pensar, planejar, debater, votar e mudar o estereótipo de “brasileiro acomodado”. A ideologia é a do “bom humor”, insistindo em lembrar as pessoas que há coisas para se votar e participar, que são mais importantes que o “paredão do Big Brother”.


"Nevilton, Sócrates, Tiago e Bruno."

Qualé?: Diz-se que “a gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte” e concordamos. Mas o que vocês pensam dos que omitem que comer é essencial e falam como se pudéssemos viver só de discursos?

Culturanja:
Pois é, acreditamos que eles têm o direito de pensar o que bem entenderem, desde que não atrapalhem os que estão fazendo algo concreto para melhorar suas vidas.


Qualé?: O que mais, de interesse de vocês, poderia ser acrescentado ao que foi dito antes?

Culturanja:
Gostaríamos de agradecer ao espaço do “Qual é a sua?”, que também está divulgando o que se produz localmente, colaborando assim com a movimentação artistica e cultural de Umuarama e região.


Qualé?: Poderiam deixar referências para o leitor estabelecer contato?

Culturanja:
S.I.M.! Temos o www.culturanja.blogspot.com, o e-mail: culturanja@gmail.com e a versão impressa, distribuída nas ruas, bares e aglomerações culturais mais próximas de você!


Ps: Vejam quando essa história começou, clique aqui.


terça-feira, 20 de outubro de 2009

Culturanja na História


Percorrendo os imensos corredores dos arquivos "culturânjicos" me deparei com este texto escrito em conjunto, nas primeiras horas da madrugada do dia 27 de Fevereiro de 2008, pelos culturanjers do Paleolítico: Tiago Inforzato (que vos escreve), Bruno Peguim e Nevilton de Alencar .

Naqueles dias, para ser mais exato 26 e 27 de Fevereiro, acontecia em Umuarama a 1ª Conferência Municipal da Juventude. O evento elegeria os representantes da juventude umuaramense para o Conselho Municipal da Juventude, que atuaria em conjunto com a Administração Municipal nas questões referentes às políticas públicas para os jovens do município.

Inspirados pela movimentação da geralmente apática juventude da cidade (o que ainda não mudou muito), nós saímos do primeiro dia do evento e, após criativa discussão filosófica noturna (vide foto acima), redigimos este manifesto que foi entregue, no dia seguinte, a todos os participantes e autoridades lá presentes.

Os representantes jovens foram eleitos e depois não soube mais de nada do tal Conselho. Mas o texto tá aí, mais uma parte da nossa história de agitadores sociais! :cD


Nevilton, Bruno, Tiago e John. Sempre agitando a juventude!


S.I.M., nós temos "pedigrí" !

Em dias como esse é que podemos ter satisfação em ver brasileiros preocupados em mudar a situação do país, que podemos ver umuaramenses preocupados em desbancar a velha ladainha de que “santo de casa não faz milagre”, que podemos ver jovens preocupados em acabar com aquela história de que “política é coisa para gente grande”! Jovens deixando de lado a “gambiarra”, o imediatismo inconsequente, participando a tomar atitudes plausíveis hoje, para garantir um futuro digno (de verdade!).

Nos anos 50, por ocasião da derrota para o Uruguai na final da copa, o dramaturgo Nelson Rodrigues cunhou o termo “complexo de vira-lata” se referindo “a inferioridade em que o brasileiro se coloca, voluntariamente, em face do resto do mundo”. No entanto, esta expressão é muito mais abrangente, chegando a ser objeto de estudos sociológiocos que analisam profundamente o comportamento do brasileiro. Apresentamos aqui, a visão esclarecedora do sociólogo Humberto Mariotti sobre o brasileiro e essa sua alcunha:

Na análise efetuada por Humberto Mariotti, o brasileiro, por ainda não ter atingido o estágio de knowledge worker (trabalhador dotado de conhecimento) preconizado na década de 1950 por Peter Drucker (no qual o trabalhador domina o conhecimento e se torna menos suscetível aos efeitos devastadores do desemprego), contenta-se com pouco e sente-se satisfeito quando recebe alguma atenção por parte das autoridades. Esta auto-desqualificação já teria atravessado o Atlântico e chegado a Portugal, onde, segundo Mariotti, trabalhador brasileiro é sinônimo de garçom ou peão de construção civil. Nossa única profissão exportável, mesmo assim não qualificada pela educação formal é, como todos sabem, a de futebolista.

Para Mariotti, vencer este complexo de inferioridade, reforçado pelos sucessivos escândalos de corrupção nos quais o governo brasileiro esteve envolvido nos últimos anos, só poderá ser satisfatoriamente resolvido através da educação. Todavia, contrariamente a outros, não encara a raiz do problema num alegado deslumbramento brasileiro perante a cultura estrangeira (francesa até as primeiras décadas do século XX e estadunidense daí em diante). Para Mariotti, a baixa auto-estima nacional provocaria uma reação contrária, de supervalorização da cultura nacional, que se encapsularia em si mesma, e rejeitaria o que vem de fora: “No Brasil, e não só aqui, o nacionalismo cultural inclui a aversão à leitura, e sobretudo àquilo que muitos consideram a mais execrável de todas as atividades: pensar, refletir e discutir idéias com outros também dispostos a fazer isso.”

Mariotti conclui afirmando: “Como todo reducionismo, esse também produz resultados obscurantistas. Essa limitação nos leva, por exemplo, a imitar o que a cultura americana tem de pior (a massificação, a competição predatória, o imediatismo) e a não procurar aprender e praticar o que ela tem de melhor (a pontualidade, a objetividade, a pouca burocracia).”

Ficam aqui nossos parabéns a você que esteve presente na 1ª Conferência Municipal da Juventude e que demonstrou o interesse em mudar, dando o primeiro passo em busca de transformar discurso em ação.

Culturanja.
*site mantido por jovens que se preocupam com a produção cultural.


Ps: Nosso manifesto foi publicado n'A Tribuna do Povo, no sábado após o evento (01 de Março de 2008) e gerou esse artigo do Achiles Delari Jr. como respota. Leia e tenha suas próprias conclusões.

PS2: Acompanhem os desdobramentos dessa história e mais algumas "fotos de arquivo" aqui.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Hotel Avenida : Eu Não Sou Um Bom Lugar !

No final de 2008, Ivan Santos (OAEOZ) e Giancarlo Rufatto resolveram fazer umas canções juntos, nasceu daí o Hotel Avenida. As músicas ficaram tão legais que os caras chamaram outros músicos para poderem apresentá-las ao vivo. E foi o que aconteceu em Fevereiro desde ano, em Curitiba, no James Bar, com a banda devidamente reforçada por Carlão Zubek (OAEOZ, Folhetim Urbano), do baixista Rubens K (ruído/mm) e do multi-instrumentista Eduardo Patrício na bateria e teclado.

Hoje a banda lança, simultaneamente em vários blogs e sites, o seu primeiro single: Eu Não Sou Um Bom Lugar. A canção foi gravada no estúdio Confraria Z do guitarrista Carlos Zubek (que também produziu a faixa), além de contar com a participação de Igor Ribeiro no sax.

Caso você seja sortudo de estar em Curitiba no dia 25 de junho, Quinta-feira, é só aparecer lá no James Bar e conferir o Hotel Avenida ao vivo no James Sessions, evento promovito pela Maamute Produções.

Além do show de lançamento do single no James, o Hotel Avenida também se apresentará mais vezes em Curitiba: no dia 17 de julho, no Wonka Bar e no dia 24 de julho no festival Rock de Inverno, a ser realizado no John Bull Music Hall.

Quer mais? Então aguarde o 11 de setembro deste ano, quando a banda irá lançar, no Jokers Pub, o seu Acústico Mundo Livre (gravado pela Rádio Mundo Livre), com canções inéditas e alguns covers.


Clique no disco par baixar a belíssima canção do Hotel Avenida.

http://www.myspace.com/hotelavenida

quinta-feira, 18 de junho de 2009

O Tremendão faz aniversário e o Rock ganha presente!


Em 2009 o Rock, estilo musical que inegavelmente revolucionou o mundo, faz 55 anos de idade. No dia 05 de junho, Erasmo Carlos, o Tremendão, completou 68 anos de idade, dos quais 49 foram dedicados ao rock. Desde os tempos da inesquecível Jovem Guarda e do Iê-iê-iê, através dos anos 70, até os dias de hoje, Erasmo ajudou a definir a cara do rock nacional e sempre manteve seu estilo despojado e sincero de fazer música, e não há nada mais roquenrol que isso.

E exatamente no dia de seu aniversário, o Tremendão lançou seu novo álbum batizado de Erasmo Rock ''n'' Roll Carlos (e não há dúvidas de que ele pode usar “rock and roll” como sobrenome). O disco contem 12 faixas inéditas, de um rock puro e sincero, sem frescuras, como o rock deve ser. Nesse disco Nando Reis, Nelson Motta e Chico Amaral assinam, cada um, duas canções como parceiros de Erasmo. Liminha, produtor do disco, além de tocar em todas as faixas, também assina como parceiro na divertida canção Celebridade, que também conta com a bateria de João Barone, dos Paralamas do Sucesso.

Variando entre roques tradicionais e boas baladas românticas, Erasmo se mostra bastante seguro de seu trabalho e de sua sonoridade. Apesar de não inovar no formato “rock tradicional”, já ganha muitos pontos por ser um disco de músicas inéditas, coisa que muitos dos seus contemporâneos há tempos não fazem mais. Além do mais, nota-se que o disco foi feito com muito capricho, com timbres de responsa; ele agrada aos ouvidos e, certamente será ouvido e reouvido por muitas vezes ainda aqui na minha vitrola.

Como se não bastasse o lançamento de um ótimo disco de rock, Erasmo Carlos também está preparando um livro. Não seria uma biografia, mas uma coletânea de causos que envolvem sua família e amigos próximos. Roberto, Wanderléa, Milton Nascimento, Caetano Veloso... "O mais importante não sou eu nem qualquer outro personagem, mas a piada do final. Todos os contos terminam com uma piada", diz. "Enquanto ela não chega, vou contando coisas da minha vida."

Uma bela vida roqueira que se reflete no disco. Um Erasmo que não deixa o tempo ditar as regras, que é o senhor de sua vida; que acredita em suas canções, cuja qualidade fora forjada em todos esses anos, crescendo e evoluindo, dia após dia com o Rock.

Para ouvir a íntegra do Erasmo Rock ''n'' Roll Carlos, no site oficial do Tremendão.





quarta-feira, 3 de junho de 2009

Alegria, Alegria!



A música brasileira dos anos 60 e 70 foi muito rica e diversos grandes astros surgiram nessa fértil época da arte nacional. Alguns brilham até hoje, outros caíram no esquecimento por motivos naturais e outros foram riscados do mapa por interesses escusos. Nesse último grupo está Wilson Simonal, artista de talento inquestionável que, com uma afinadíssima e inconfundível voz e canções cheias de swing, galgou degrau por degrau de uma carreira de sucesso jamais vista no Brasil daquela época, ainda mais por ser um negro. Só o Pelé tinha conseguido o mesmo.

Durante o final dos anos 60 ele já tinha o seu programa de TV, que se chamava TV Show em Si...monal. Se revelou um showman de primeira categoria e com seu carisma irresistível, fez grande sucesso com as músicas País Tropical (de Jorge Ben); Mamãe Passou Açúcar em Mim; Meu Limão, Meu Limoeiro e Sá Marina. O céu já não era mais limite para Simonal, ele estava além, sua popularidade só era superada (por poucos pontos) por Roberto Carlos. Chegou a dividir o palco com a diva do jazz Sarah Vaughan, mas não previa um duro golpe do qual jamais se recuperaria.

Ao suspeitar que estava sendo roubado por seu contador, pediu para que lhe dessem uma surra. A história poderia ter parado por aí, mas acontece que a surra foi dada por dois agentes do DOPS (Departamento de Ordem Política e Social), serviço público Federal cuja especialidade era torturar adversários da ditadura militar - e falsos adversários também. Simonal, na ingenuidade, confirmou que tinha esses contatos no DOPS e deu a arma que o mataria na mão de seus inimigos. O contador, junto com amigos influentes dos meios de comunicação, espalhou que ele era um dedo-duro e que estava delatando os artistas para o governo militar. E esse foi o golpe de misericórdia na carreira de Simonal.


Mesmo sem prova alguma desse contato com os órgãos de repressão, ele foi relegado ao ostracismo e marginalidade, perdeu fama, status e dinheiro. Já não conseguia fazer shows nem vender discos. E foi assim até o fim de sua vida, no ano de 2000. Infelizmente o reconhecimento oficial de sua inocência veio tarde, quando seu nome foi reabilitado publicamente pela Comissão Nacional de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil em 2003, após grande esforço da família.

A boa notícia para os fãs é que depois de muitos “"não quero me meter nisso", "para que mexer nessa história?", Cláudio Manoel (Casseta & Planeta), Micael Langer e Calvito Leal conseguiram terminar o documentário Wilson Simonal : Ninguém Sabe o Duro Que Dei, que estreou nos cinemas brasileiros neste mês de Maio. Com imagens de arquivo, entrevistas com artistas do gabarito de Chico Anysio, Nelson Mota, Ziraldo; de amigos e familiares, como seus filhos (também cantores) Max de Castro e Simoninha, a vida e a carreira do verdadeiro Rei do Swing, um dos fundadores e difusor da Pilantragem (o Samba-Jovem), é trazida à tona e colocada de novo no panteão dos grandes nomes da música nacional.

A inegável importância da arte de Wilson Simonal na história da música nacional pode ser sentida na pele e nos timpanos neste documentário. Também poderemos esperar uma caixa comemorativa, com vários cd’s do artista a ser lançada em breve. É uma chance sem igual de revelar e entregar os aplausos guardados por tantas gerações a esse grande artista. Inclusive, aguardo ansioso a exibição desse documentário aqui em Umuarama.


Vídeo Promocional do Filme


Para saber mais é só acessar o site oficial.


quarta-feira, 22 de abril de 2009

Monteiro Lobato Encontra o Sacy-Pererê.


A preocupação com a preservação da cultura e folclore nacionais não é nova. Em 1917, o grande Monteiro Lobato, criador do Sítio do Pica-Pau Amarelo, publicou uma pesquisa no Estadinho (apelido carinhoso da edição vespertina d’O Estado de São Paulo) e pediu para seus leitores lhe enviarem relatos de experiências com o Saci-Pererê. Para tanto era só enviar uma carta com o seguinte questionário respondido: Como o leitor havia descoberto o mito? Como é a crença nele nos dias atuais? E quais experiências passadas pessoalmente ou ouvidas o leitor poderia contar?

O resultado desta enquête foi o livro Saci-Pererê, O Resultado de um Inquérito, publicado no ano seguinte (1918), com quase 300 páginas cheias de histórias do endiabrado 'muleque perereca'. Alguns o descrevem como um demoniozinho feioso, alguns como um moleque sacana e perneta. Com gorro, com ou sem rabo, não importa, o que vale mesmo são as deliciosas histórias do tinhosinho sendo trazidas do esquecimento para a realidade.

A Primeira Guerra Mundial estava em seu ápice em 1918, e Lobato usa essa obra para questionar o conceito de civilização nos moldes franceses que as elites brasileiras insistiam em reproduzir. Ele demonstrava a necessidade de se aprofundar os estudos sobre as lendas, crendices e costumes brasileiros, para que pudéssemos conhecer mais sobre nossa cultura.

A tiragem inicial do livro foi de dois mil exemplares, bancados pelo próprio Lobato que assina o livro sob o pseudônimo de Um Demonólogo Amador. Para ajudar nas despesas o escritor colocou anúncios especialmente desenhados com o tema Saci-Pererê pelo cartunista João Paulo Lemmo Lemmi, também chamado de Voltolino.

Capa da edição original de 1918, a mesma da edição fac-similar de 1998. Em ambas o grande atrativo é a 'graphia' no português da época.

De conteúdo simples de se ler, com um tema apaixonante e uma linguagem que varia conforme o grau de instrução de quem escreve cada história, o livro é um prato cheio para quem procura bons momentos de conhecimento e prazer. Inclusive existem lindíssimas passagens escritas com a linguagem do matuto iletrado do interior, que são nada menos do que tesouros da nossa língua. Ainda mais se, assim como eu, você também ouvia essas histórias quando pequeno.

Inclusive esta obra não constava na bibliografia oficial de Monteiro Lobato, que ironizou o fato de sua estréia literária ocorrer por meio de uma obra não-assinada, pois ele só organizou material de terceiros. Até que em 1998, a Fundação Banco do Brasil e a Odebrecht publicaram uma edição fac-similar, ou seja, idêntica à original, de cinco mil exemplares para serem distribuídas à bibliotecas. Infelizmente esta edição está fora do comércio. Mas não fiquem tristes, pois a Editora Globo, no início de 2008, publicou uma edição revisada e atualizada desta jóia do folclore nacional.


Capa da edicão de 2008, pela Editora Globo.


Independende de qual versão você conseguir, não perca a chance e agarre o seu. É imperdível.

Saiba mais sobre Monteiro Lobato e sua obra!

Veja um fragmento curioso do livro no Lobservando.


segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Morrissey - Years of Refusal [2009]

Ebaaaaa!!!


Hoje é um dia feliz para os fãs de Steven Patrick Morrissey, que após três anos lançou mundialmente mais um sempre esperado álbum novo. É claro que durante esse período ele não esteve sumido, houveram shows, houveram singles e tudo culminou no discão Years of Refusal, onde o rapaz acertou a mão. Canções bem feitinhas (como tem sido a regra dos últimos 3 discos), bem tocadas, bem gravadas (os timbres dos instrumentos estão uma delícia), as letras continuam sarcásticas (como manda o figurino do humor britânico), e a grande diferença para os outros álbuns é que este aqui tem muito mais dos bons rocks rápidos e sem frescuras do que baladas choronas.

É com um “Eu to muito bem” que Moz entra em cena, na primeira canção do disco, que se chama Something is Squeezing My Skull. Ele canta o incômodo que é esse mundão de hoje, a falta de atitudes sinceras, a falta de amor e amizades de verdade que deixam as pessoas tão perdidas, derrotadas e apáticas, que só apelando pra ajuda de remédio tarja preta se consegue sobrevier. E é com um “Não me dê mais disso, você jurou que não me daria mais!!!” agoniado que Morrissey, devidamente acompanhado pela banda numa pegada de gente grande, encerra a canção. E é nessa tônica de “sacode a poeira, dá a volta por cima” que o disco se desenvolve.


"Algo espremendo meu crânio"


Mama, Lay Softly On The Riverbed e Black Cloud, faixas 02 e 03 respectivamente, Morrissey continua cantando os dramas do mundo e os amores impossíveis ou inviáveis, porém sempre com um visão um tanto mais ácida do que o convencional. Com atenção especial ao refrão “pegajoso” da faixa 02.

Agora chegamos ao ponto alto do disco: I'm Throwing My Arms Around Paris (faixa 04) e All You Need Is Me (faixa 05) são canções perfeitas. Ambas bem construídas com letra e música bem caprichadas, desenbocando em refrões super vivos como: “I’m throwing my arms around / around Paris because / only stone and steel accept my love” e “You don't like me but you love me / Either way you're wrong / You're gonna miss me when I'm gone”. Irretocáveis.




"Abraçando Paris...bateristas voadores e guitarristas com clarineta. Diversidade"



Ahá! A comentada foto do encarte do single de "I'm Throwing my arms..." Depositem suas piadas nos 'comentários' deste post.


Depois de cantar junto durante duas faixas inteiras, damos uma respiradinha na quase estraga prazeres, à la mariachi, When I Last Spoke to Carol (faixa 06), que mal se acaba e já é retrucada por um som de filme de terror, que anuncia outra grande canção deste disco: That’s How People Grow Up (Faixa 07). E, como sempre, a filosofia morriseyniana vem à tona a todo vapor: É hora de parar de gastar a vida com bobagens, é hora de tomar providências, afinal, cara no muro, desiluzões de todos os gêneros e acidentes acontecem mas é assim que as pessoas crescem.

Falar sobre a fragilidade dos romances em One Day Goodbye Will Be Farewell (faixa 08), que é um outro quase erro com pitadas mariachi, Moz anuncia as próximas duas faixas, as únicas duas baladas do disco. It's Not Your Birthday Anymore (faixa 09) começa bem tranqüila, com direito a bateria eletrônica de leve, mas cresce num refrão grandioso, com muita guitarra e um Morrissey agitando o topete nas alturas com os vocais (It's not your birthday anymore / There's no need to be kind to you / And the will to see you smile and belong has now gone). Um refrão pode comover aqueles corações que estão seguindo para o adeus.

You Were Good in Your Time (faixa 10) é uma baladona completa, vocal cheio de reverb, bateria no chão, instrumental rico (violinos, violões de nylon), dando aquele ar “Roberto Carlos finais de 70” ou ainda os festivais “Eurovision” da mesma época. Essa canção ainda tem uma sonorização de fundo que me faz imaginar alguém dentro de um táxi, num dia chuvoso, indo pro aeroporto ou voltando de um velório (obviamente melancólico). A parte boa é que depois que a música termina o som “do táxi” continua um bom tempo e se esvai nuns ruídos pinkfloydianos... coisa fina!


Agora com roupas!

Saindo das baladas chorosas, Morrissey e sua trupe recuperam o fôlego e encerram o disco com mais dois bons exemplares de rocks rápidos e rasteiros. O puxão de orelha sem dó em “Sorry Doesn’t Help Us” (faixa 11) é muito bem interpretado pela banda e abre caminho para a canção de despedida “I’m OK By Myself” (estou bem sozinho, em português), que fecha o disco com a mesma mensagem e quase a mesma energia da primeira faixa.

Morrissey insiste em nos dizer que está muito de bem com a vida e, pelo jeito, exorcizou muitos fantasmas nesses três anos de negações e provações da construção deste disco. Ótimo para ele, melhor para os fãs que tem um disco cheio de bom gosto, com um vocalista que sabe onde quer chegar e uma banda extremamente capaz de acompanha-lo. Um álbum que se consegue ouvir por inteiro (várias vezes), coisa que, inclusive, nunca foi uma regra em sua carreira.


Ps: Clipe Bônus, All You Need Is Me (altamente recomendado)
Site Oficial do 'gajo'.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Sinta-se no Hawaii com Santo & Johnny


Aloha!!!

A música instrumental sempre provoca uma sensação de estranhamento aos menos acostumados. Entretanto são inigualáveis trilhas sonora para vários momentos, do almoço dominical em família a um (no caso de Santo & Johnny) churrascão tropical na beira da piscina, com muita fartura, caipirinha e outros drinks frutados. É claro, que as baladas românticas desses meninos também não podem faltar na ambientação de qualquer noite enluarada e bem acompanhada (ou solitária, tanto faz).

Os irmãos Santo e Johnny Farina, começaram a estudar música a pedido de seu pai, que servia o exercito na II Guerra Mundial quando ouviu uma música tocada numa Steel Guitar, também conhecida como Guitarra Havaiana. Escreveu o Farina pai, numa carta à sua esposa, que gostaria que os meninos aprendessem a tocar esse "maravilhoso instrumento".

Dito e feito, Johnny Farina primeiro adaptou uma guitarra convencional para aprender e, depois fazer suas primeiras apresentações. Com o dinheiro ganho comprou sua primeira Steel Guitar de verdade, com 3 braços de oito cordas cada. Com esse instrumento e agora acompanhado de seu irmão Santo na guitarra convencional, os irmãos empreenderam experimentações com afinações diversas e timbres variados.

Num amável estéreo fica melhor ainda!

As canções da dupla são instrumentais e com um clima Havaiano devido ao uso da Steel Guitar, com seu som incrivelmente característico, o que torna o som dos garotos inconfundível. O grande sucesso dos Farinas foi Sleepwalk, que em Agosto de 1959 alcançou o primeiro lugar das paradas Norte-Americanas e figurou em diversos filmes (La Bamba, Sonâmbulos), comerciais e trilhas sonoras variadas. Inclusive, esta canção foi tão famosa que é a única da dupla que possui uma letra, pois vários artistas como The Shadows, The Ventures, Jake Shimabukuro, Deftones, Chet Atkins, Joe Satriani, Betsy Brye, Modest Mouse, My Morning Jacket e outros tantos, a regravaram em versões instrumentais ou cantadas.

Os CD’s de Santo & Johnny giravam entre composições próprias e versões para clássicos da música em geral. Versões imperdíveis de músicas como She’s a Rainbow dos Rolling Stones, And I Love Her dos Beatles ou até mesmo a fabulosa Moonlight Serenade de Glenn Miller.

Hoje apenas Johnny Farina continua com sua Steel Guitar “chorando” pelo mundo. Ele mora na Itália e esporadicamente lança discos. Tem até Site Oficial e MySpace.

Então, se estiver afim de ouvir coisas diferentes e se surpreender com uma nova estética, ou simplesmente ouvir um som bem agradável e leve, Santo & Johnny é uma boa pedida.


Aqui estão os irmãos Farina ao vivo, em 1959, com seu maior sucesso Sleepwalk.
Você vai lembrar dessa!




Teardrop, coisa fina!

domingo, 28 de dezembro de 2008

Festando e Refletindo com Veríssimo [Orgias, 1989]

Hoje é 28 de Dezembro e nos restam apenas mais 4 dos 365 dias que nós mesmos nos damos para chegar a algum lugar. Apesar de todo mundo saber que a divisão do tempo é algo arbitrário, o dia em que a terra termina uma volta completa em torno do sol é tomado em consideração para varias coisas sérias e outras nem tanto.

O dia 31 de Dezembro é o dia da ressaca moral, igual àquela manhã com dores de cabeça e estomago embrulhado, quando você decide nunca mais beber como na noite anterior e resolver lavar a roupa suja com ex-afetos e alguns desafetos. É nesse dia "ressacal" de fim de ano que decidimos não cometer mais os mesmos erros do ano que passou.

E assim como as segundas-feiras são o dia preferido para se começar dietas depois de um domingão farto em gulodices, o primeiro dia do novo ano é o preferido para se começar grandes planos, depois de um ano farto de eventos mirabolantes, de índole duvidosa, bons e maus. Mas da mesma forma que a decisão de segurar a onda na festança nunca vigora, quando nos damos conta estamos nós, no decorrer do ano, fazendo novamente tudo o que planejamos não fazer.

Mas já que não seguir as regras é algo muito natural do ser humano, nada melhor do que rir disso tudo, e Luis Fernando Veríssimo ajuda muito nessa hora. Em seu livro Orgias (1989, ed. L± relançado em 2005 pela Objetiva), ele celebra essas horas mágicas das festas, quando as pessoas se divertem pelo simples prazer da diversão e acabam entrando em algumas saias justas e situações cotidianas especialíssimas. Enfim, se é dito que a vida é uma festa, então nada mais normal do que estabelecer regras e não segui-las todas, exceto aquelas que nos mantém vivos (e muitos ainda raramente fazem isso).

Festejemos o Ano Novo e adjacências!

Várias pessoas se identificarão com os personagens do diálogo abaixo, uma reflexão animada de fim de ano, um pedacinho de uma das crônicas que estão no livro, que vale a pena ser lido por inteiro, como qualquer obra dos Veríssimos. Enfim, tenham um final de ano bastante inspirado e um 2009 acima da média. Divirtam-se!

- Olhe.
- O que é isso?

- Aquele livro que você me emprestou.
- Eu não me lembro de…
- Faz muito tempo. E, na verdade, você não emprestou. Eu peguei. Eu costumava fazer isso. Nunca mais vou fazer.

- Você pode ficar com o livro. Eu…
- Não! Ajude a me regenerar. Quem fazia essas coisas não era eu. Era outra pessoa. Um crápula. Decidi mudar. Este sou o eu 2006. Comecei devolvendo todos os livros que peguei dos amigos. Acabou com a minha biblioteca, mas que diabo. Me sinto bem fazendo isto. Outra coisa. Precisamos nos ver mais. Eu abandonei os amigos. Abandonei os amigos! Olhe, vou à sua casa este sábado.
- Não. Ahn…

- Prometo não roubar nada.

- Não é isso. É que…

- Já sei. Vamos combinar um jantarzinho lá em casa. A Santa e eu estamos ótimos. Fiz um juramento, na noite de ano bom. Que me regeneraria. E ela me aceitou de volta. Há dois dias que não olho para outra mulher. Dois dias inteiros! Isso era coisa do outro.

- Sim.
- Do crápula.

- Sei…
- Eu era horrível, não era? Diz a verdade. Pode dizer. Uma das coisas que eu resolvi é não bater mais em ninguém. Era ou não era?
- O que é isso?
- Como é que eu podia ser tão horrível, meu Deus?
- Calma. Você está transtornado. Vamos tomar um chopinho.
- Não! Não posso. Jurei que não botaria mais uma gota de álcool na boca.

- Mas um chopinho…

- Está bem. Um. Em honra da nossa amizade recuperada. E escuta…
- O quê?

- Deixa eu ficar com o livro mais uns dias. Ainda não tive tempo de…

- Claro. Toma.

- E vamos ao chope. Lá no alemão, onde tem mais mulher.