Há exatamente 221 anos, no dia 22 de fevereiro de 1788, nascia o filósofo alemão Arthur Schopenhauer, em Danzig na Prússia (Gdansk, na atual Polônia). É claro que depois de 2 séculos ninguém lembraria de seu nome se ele não tivesse sido imortalizado como um dos principais filósofos do século XIX.
Conhecido pelo seu pessimismo, Schopenhauer foi um ser pouco sociável, alegava preferir a companhia de cães à humanos, e nunca se casou. “A solidão é a sorte de todos os espíritos excepcionais”, dizia.
Em sua Magnum Opus ( do latim, Grande Obra), cuja primeira edição foi publicada em 1819, “O mundo como vontade e como representação” , Schopenhauer enfatiza suas idéias a respeito de como somos movidos por nossas vontades e como nossa visão , ou “representação” de mundo, não passa de um reflexo do que realmente somos. Ao que ele chama de nossa Vontade, atribuiu o valor de força fundamental da natureza, e base da conduta humana, onde os nossos desejos físicos, espirituais e sexuais jamais são satisfeitos. Sendo, portanto, considerada a fonte de todos os nossos sofrimentos.
"A felicidade não passa de um sonho, e a dor é real... Há oitenta anos que o sinto. Quanto a isso, não posso fazer outra coisa senão me resignar, e dizer que as moscas nasceram para serem comidas pelas aranhas e os homens para serem devorados pelo pesar."
Schopenhauer considera o viver como um eterno ir e vir entre a dor e o tédio, pois quando nossa vontade é saciada, nos causa tédio, e logo depois a vontade volta ao seu posto de falta. Uma das formas apontadas por ele, para se afastar da Vontade, foi a Arte, pois esta permite que os homens olhem a vida de fora, e contemplem o mundo sem serem afetados pelas paixões individuais; Assim ficaríamos livres do sofrimento.. pelo menos por um instante.
Para o filósofo o reconhecimento veio somente nos seus últimos anos de vida, quando publicou em 1851, a obra “Parerga e Paralipomena”, que é um enorme tratado filosófico sobre vários assuntos. Sua fama era tão grande nesse período que chegou a ser publicada num jornal local a notícia de um ferimento que ele havia feito na testa.
Com toda amargura e solidão, Schopenhauer nos deixou sua genialidade impressa em suas obras, ao alcance dos que estiverem dispostos a penetrar nessa visão excêntrica sobre os mais variados temas da existência humana. Morreu no dia 21 de setembro de 1860, em Frankfurt, aos 72 anos de idade.
Hoje é um dia feliz para os fãs de Steven Patrick Morrissey, que após três anos lançou mundialmente mais um sempre esperado álbum novo. É claro que durante esse período ele não esteve sumido, houveram shows, houveram singles e tudo culminou no discão Years of Refusal, onde o rapaz acertou a mão. Canções bem feitinhas (como tem sido a regra dos últimos 3 discos), bem tocadas, bem gravadas (os timbres dos instrumentos estão uma delícia), as letras continuam sarcásticas (como manda o figurino do humor britânico), e a grande diferença para os outros álbuns é que este aqui tem muito mais dos bons rocks rápidos e sem frescuras do que baladas choronas.
É com um “Eu to muito bem” que Moz entra em cena, na primeira canção do disco, que se chama Something is Squeezing My Skull. Ele canta o incômodo que é esse mundão de hoje, a falta de atitudes sinceras, a falta de amor e amizades de verdade que deixam as pessoas tão perdidas, derrotadas e apáticas, que só apelando pra ajuda de remédio tarja preta se consegue sobrevier. E é com um “Não me dê mais disso, você jurou que não me daria mais!!!” agoniado que Morrissey, devidamente acompanhado pela banda numa pegada de gente grande, encerra a canção. E é nessa tônica de “sacode a poeira, dá a volta por cima” que o disco se desenvolve.
"Algo espremendo meu crânio"
Mama, Lay Softly On The Riverbed e Black Cloud, faixas 02 e 03 respectivamente, Morrissey continua cantando os dramas do mundo e os amores impossíveis ou inviáveis, porém sempre com um visão um tanto mais ácida do que o convencional. Com atenção especial ao refrão “pegajoso” da faixa 02.
Agora chegamos ao ponto alto do disco: I'm Throwing My Arms Around Paris(faixa 04) e All You Need Is Me(faixa 05) são canções perfeitas. Ambas bem construídas com letra e música bem caprichadas, desenbocando em refrões super vivos como: “I’m throwing my arms around / around Paris because / only stone and steel accept my love” e “You don't like me but you love me / Either way you're wrong / You're gonna miss me when I'm gone”. Irretocáveis.
"Abraçando Paris...bateristas voadores e guitarristas com clarineta. Diversidade"
Ahá! A comentada foto do encarte do single de "I'm Throwing my arms..." Depositem suas piadas nos 'comentários' deste post.
Depois de cantar junto durante duas faixas inteiras, damos uma respiradinha na quase estraga prazeres, à la mariachi, When I Last Spoke to Carol(faixa 06), que mal se acaba e já é retrucada por um som de filme de terror, que anuncia outra grande canção deste disco: That’s How People Grow Up(Faixa 07). E, como sempre, a filosofia morriseyniana vem à tona a todo vapor: É hora de parar de gastar a vida com bobagens, é hora de tomar providências, afinal, cara no muro, desiluzões de todos os gêneros e acidentes acontecem mas é assim que as pessoas crescem.
Falar sobre a fragilidade dos romances em One Day Goodbye Will Be Farewell(faixa 08), que é um outro quase erro com pitadas mariachi, Moz anuncia as próximas duas faixas, as únicas duas baladas do disco. It's Not Your Birthday Anymore(faixa 09) começa bem tranqüila, com direito a bateria eletrônica de leve, mas cresce num refrão grandioso, com muita guitarra e um Morrissey agitando o topete nas alturas com os vocais (It's not your birthday anymore / There's no need to be kind to you / And the will to see you smile and belong has now gone). Um refrão pode comover aqueles corações que estão seguindo para o adeus.
You Were Good in Your Time(faixa 10) é uma baladona completa, vocal cheio de reverb, bateria no chão, instrumental rico (violinos, violões de nylon), dando aquele ar “Roberto Carlos finais de 70” ou ainda os festivais “Eurovision” da mesma época. Essa canção ainda tem uma sonorização de fundo que me faz imaginar alguém dentro de um táxi, num dia chuvoso, indo pro aeroporto ou voltando de um velório (obviamente melancólico). A parte boa é que depois que a música termina o som “do táxi” continua um bom tempo e se esvai nuns ruídos pinkfloydianos... coisa fina!
Agora com roupas!
Saindo das baladas chorosas, Morrissey e sua trupe recuperam o fôlego e encerram o disco com mais dois bons exemplares de rocks rápidos e rasteiros. O puxão de orelha sem dó em “Sorry Doesn’t Help Us” (faixa 11) é muito bem interpretado pela banda e abre caminho para a canção de despedida “I’m OK By Myself” (estou bem sozinho, em português), que fecha o disco com a mesma mensagem e quase a mesma energia da primeira faixa.
Morrissey insiste em nos dizer que está muito de bem com a vida e, pelo jeito, exorcizou muitos fantasmas nesses três anos de negações e provações da construção deste disco. Ótimo para ele, melhor para os fãs que tem um disco cheio de bom gosto, com um vocalista que sabe onde quer chegar e uma banda extremamente capaz de acompanha-lo. Um álbum que se consegue ouvir por inteiro (várias vezes), coisa que, inclusive, nunca foi uma regra em sua carreira.
A música instrumental sempre provoca uma sensação de estranhamento aos menos acostumados. Entretanto são inigualáveis trilhas sonora para vários momentos, do almoço dominical em família a um (no caso de Santo & Johnny) churrascão tropical na beira da piscina, com muita fartura, caipirinha e outros drinks frutados. É claro, que as baladas românticas desses meninos também não podem faltar na ambientação de qualquer noite enluarada e bem acompanhada (ou solitária, tanto faz).
Os irmãos Santo e Johnny Farina, começaram a estudar música a pedido de seu pai, que servia o exercito na II Guerra Mundial quando ouviu uma música tocada numa Steel Guitar, também conhecida como Guitarra Havaiana. Escreveu o Farina pai, numa carta à sua esposa, que gostaria que os meninos aprendessem a tocar esse "maravilhoso instrumento".
Dito e feito, Johnny Farina primeiro adaptou uma guitarra convencional para aprender e, depois fazer suas primeiras apresentações. Com o dinheiro ganho comprou sua primeira Steel Guitar de verdade, com 3 braços de oito cordas cada. Com esse instrumento e agora acompanhado de seu irmão Santo na guitarra convencional, os irmãos empreenderam experimentações com afinações diversas e timbres variados.
Num amável estéreo fica melhor ainda!
As canções da dupla são instrumentais e com um clima Havaiano devido ao uso da Steel Guitar, com seu som incrivelmente característico, o que torna o som dos garotos inconfundível. O grande sucesso dos Farinas foi Sleepwalk, que em Agosto de 1959 alcançou o primeiro lugar das paradas Norte-Americanas e figurou em diversos filmes (La Bamba, Sonâmbulos), comerciais e trilhas sonoras variadas. Inclusive, esta canção foi tão famosa que é a única da dupla que possui uma letra, pois vários artistas como The Shadows, The Ventures, Jake Shimabukuro, Deftones, Chet Atkins, Joe Satriani, Betsy Brye, Modest Mouse, My Morning Jacket e outros tantos, a regravaram em versões instrumentais ou cantadas.
Os CD’s de Santo & Johnny giravam entre composições próprias e versões para clássicos da música em geral. Versões imperdíveis de músicas como She’s a Rainbow dos Rolling Stones, And I Love Her dos Beatles ou até mesmo a fabulosa Moonlight Serenade de Glenn Miller.
Hoje apenas Johnny Farina continua com sua Steel Guitar “chorando” pelo mundo. Ele mora na Itália e esporadicamente lança discos. Tem até Site Oficial e MySpace.
Então, se estiver afim de ouvir coisas diferentes e se surpreender com uma nova estética, ou simplesmente ouvir um som bem agradável e leve, Santo & Johnny é uma boa pedida.
Aqui estão os irmãos Farina ao vivo, em 1959, com seu maior sucesso Sleepwalk. Você vai lembrar dessa!
A Revoltz é uma banda "multi-estadual". Ricardo Kudla (baixo/vocal) é de Porto Alegre e hoje mora em São Paulo, Marcella Yoshida (teclado/vocal) e Heitor Jooji (Guitarra) são de Cuiabá e Jean Albernaz (bateria) é de Campo Grande. Como se não bastasse integrantes de vários cantos do país, o som dos caras também é "multi-influenciado": rock contemporâneo com influências do pós-punk inglês anos 80, new wave e a garageira loucura sessentista. Agora imagine tudo isso numa panela, com as influências climatológicas e caóticas de onde cada um vive e muita vodka com gelo: isso ai dá no som cheio de identidade da Revoltz. Quando toquei lá em Porto Alegre, no Gig Rock, tive a oportunidade de filmá-los em ação. Gravei 6 músicas do show deles, que foi excelente, e reuní numa playlist. Aí vai:
Acho que o som da"Revoltz" me faz pensar coisas do tipo "sacanagem na vida privada", "droguinhas marotas", "milhares de cores, amores e desesperadas tentativas de se viver bem". Espero que gostem dos vídeos. Caso queiram conhecer os discos, os links são estes:
Texto publicado na página de Cultura e Arte do Umuarama Ilustrado, domingo, 25 de janeiro de 2009.
Tonight é o nome do novo disco do quarteto escocês Franz Ferdinand que será lançado nesta segunda, dia 26. Desde a quinta (22), o álbum está inteiro para audição em sua página no myspace (http://www.myspace.com/franzferdinand), mas como a "Santa Internet" nunca falha: o disco já havia vazado para download desde os primeiros dias de 2009. Muita gente já ouviu, gostou e falou dele por ai. Tanto é que os ingressos para o "show de lançamento", que foi neste dia 20 num clube gay em Londres, esgotaram em menos de 20 minutos!
É um discão bonito que vale algumas palavrinhas: a primeira música, "Ulysses", começa com uma levada de batera tipo um Ska lento, um baixo de discoteca, vocais sussurrados e muitos "Come on, let's get high!", até se tornar mais um daqueles sons altamente dançantes do Franz Ferdinand, com "La la lás" e "Uh Uh" de montão, anunciando que o disco será muito dançante e divertido! As próximas, "Twilight Omens", "Bite Hard", "What She Came For" e "Can't Stop Feeling" continuam nessa levada boa pra dançar até que "Katheryne Kiss Me" dá o tempo para um descanso, uma baladinha com violões, vocal grave e letra bonita que acalmam. Então "Turn it on" chega forte, com batera dançante, baixo quente, moogs e vocais charmosos fazem dela uma das minhas favoritas do disco. Dessa vez a balada é intrigante, "Dream Again", lentinha e maluca, com vocais e percussões num clima "Strange Days" do Doors, somados a baixo, guitarras e tecladinhos que talvez lembrem "The Cure" e formam uma música que "flutua interessantemente".
As últimas quatro canções voltam em situações de dança, "No You Girls", "Lucid Dreams, que tem um instrumental altamente dançante e acido, com sintetizadores rasgados e cheia de riffs de guitarra e um "refrão daqueles", outra das minhas favoritas, junto com "Send Him Away", que vem com a bateria "retinha", mas os baixos, guitarras e teclados dão uma certa "latinidade roqueira", tipo aquelas levadas do "Love" ou "The Doors", com um finalzão temperado a palmas e muita caixa "quebrando tudo". Uma alegria só! A última música, falando um monte de "I want to live alone", fecha bem um disco que abre cheio dos "let's get high!"
Se você gosta de rocks dançantes, bem humorados e cheio de climas oitentistas, certamente vai achar que este é um discão que veio pra abrir bem a safra de 2009. Aproveito e desafio você a ouvir em alto e bom som e manter as pernas imóveis!!!
"Qualquer Coisa, um podcast sobre nada!" É com este bem humorado slogan que José Flávio Júnior, Paulo Terron e Max de Castro apresentam seu podcast. Conversas amigáveis, histórias interessantes, convidados especiais e muito boa música são o que diferenciam o "Qualquer Coisa" de uma "coisa qualquer"!
foto de quando o programa teve a participação especial de Nina Becker, Kassin, Pedro Sá e Chernobyl.
Hoje é 28 de Dezembro e nos restam apenas mais 4 dos 365 dias que nós mesmos nos damos para chegar a algum lugar. Apesar de todo mundo saber que a divisão do tempo é algo arbitrário, o dia em que a terra termina uma volta completa em torno do sol é tomado em consideração para varias coisas sérias e outras nem tanto.
O dia 31 de Dezembro é o dia da ressaca moral, igual àquela manhã com dores de cabeça e estomago embrulhado, quando você decide nunca mais beber como na noite anterior e resolver lavar a roupa suja com ex-afetos e alguns desafetos. É nesse dia "ressacal" de fim de ano que decidimos não cometer mais os mesmos erros do ano que passou.
E assim como as segundas-feiras são o dia preferido para se começar dietas depois de um domingão farto em gulodices, o primeiro dia do novo ano é o preferido para se começar grandes planos, depois de um ano farto de eventos mirabolantes, de índole duvidosa, bons e maus. Mas da mesma forma que a decisão de segurar a onda na festança nunca vigora, quando nos damos conta estamos nós, no decorrer do ano, fazendo novamente tudo o que planejamos não fazer.
Mas já que não seguir as regras é algo muito natural do ser humano, nada melhor do que rir disso tudo, e Luis Fernando Veríssimo ajuda muito nessa hora. Em seu livro Orgias(1989, ed. L± relançado em 2005 pela Objetiva), ele celebra essas horas mágicas das festas, quando as pessoas se divertem pelo simples prazer da diversão e acabam entrando em algumas saias justas e situações cotidianas especialíssimas. Enfim, se é dito que a vida é uma festa, então nada mais normal do que estabelecer regras e não segui-las todas, exceto aquelas que nos mantém vivos (e muitos ainda raramente fazem isso).
Festejemos o Ano Novo e adjacências!
Várias pessoas se identificarão com os personagens do diálogo abaixo, uma reflexão animada de fim de ano, um pedacinho de uma das crônicas que estão no livro, que vale a pena ser lido por inteiro, como qualquer obra dos Veríssimos. Enfim, tenham um final de ano bastante inspirado e um 2009 acima da média. Divirtam-se!
- Olhe. - O que é isso? - Aquele livro que você me emprestou. - Eu não me lembro de… - Faz muito tempo. E, na verdade, você não emprestou. Eu peguei. Eu costumava fazer isso. Nunca mais vou fazer. - Você pode ficar com o livro. Eu… - Não! Ajude a me regenerar. Quem fazia essas coisas não era eu. Era outra pessoa. Um crápula. Decidi mudar. Este sou o eu 2006. Comecei devolvendo todos os livros que peguei dos amigos. Acabou com a minha biblioteca, mas que diabo. Me sinto bem fazendo isto. Outra coisa. Precisamos nos ver mais. Eu abandonei os amigos. Abandonei os amigos! Olhe, vou à sua casa este sábado. - Não. Ahn… - Prometo não roubar nada. - Não é isso. É que… - Já sei. Vamos combinar um jantarzinho lá em casa. A Santa e eu estamos ótimos. Fiz um juramento, na noite de ano bom. Que me regeneraria. E ela me aceitou de volta. Há dois dias que não olho para outra mulher. Dois dias inteiros! Isso era coisa do outro. - Sim. - Do crápula. - Sei… - Eu era horrível, não era? Diz a verdade. Pode dizer. Uma das coisas que eu resolvi é não bater mais em ninguém. Era ou não era? - O que é isso? - Como é que eu podia ser tão horrível, meu Deus? - Calma. Você está transtornado. Vamos tomar um chopinho. - Não! Não posso. Jurei que não botaria mais uma gota de álcool na boca. - Mas um chopinho… - Está bem. Um. Em honra da nossa amizade recuperada. E escuta… - O quê? - Deixa eu ficar com o livro mais uns dias. Ainda não tive tempo de… - Claro. Toma. - E vamos ao chope. Lá no alemão, onde tem mais mulher.
Hoje é aniversário do "Nevilton Pai", por isso ontem fui ao mercado e comprei cervejas de vários tipos, snacks e queijo! Durante a noite, quando a família toda já estava em casa, trouxe à sala as cervejas geladíssimas, queijo cortado em cubinhos e snacks pra rechear as horas que faltavam, para nosso amigão chegar animado a nova idade! Tal fato e alegria me ajudarão a fazer comparações ao disco que vou sugerir aqui: o Little Joy, do Little Joy, lançado neste 4 de Novembro, pela Rough Trade. Little Joy é um projeto de amigos que deixaram seus lares e rotinas para gravar um disco em Los Angeles. Fabrizio Moretti (The Strokes) e Rodrigo Amarante (Los Hermanos) se conheceram num festival em Lisboa, Portugal. Naquela ocasião conversaram a noite inteira, cogitando um dia trabalharem juntos em um projeto que não trouxesse muitas referências de suas respectivas bandas. Após um ano, Amarante foi a Los Angeles gravar com Devendra Banhart, e nas horas livres das gravações se encontrava com Moretti para conversarem mais sobre música. Foi nesta viagem e entre essas conversas que foram apresentados a Binki Shapiro, que já era de Los Angeles, e assim ganharam uma amiga e parceira para o projeto que cogitavam desde aquele festival. Alguns meses depois, se mudaram para uma casa em Echo Park e começaram a gravar as demos das músicas que vinham trabalhando, e mais tarde, com a ajuda do produtor Noah Georgeson, que gravou o disco do Banhart, gravaram o disco que trazia o mesmo nome do projeto, "Little Joy". O resultado de tudo isso é muito bom! Músicas bonitas, com arranjos ricos em detalhes. As vezes os timbres e ideias fazem lembrar praias, filmes e momentos tranquilos com percussões e vocais vários! É de se ouvir com prazer! Apesar de serem vários arranjos e instrumentos, nada soa carregado ou confuso, dá pra sentir o timbre de cada coisa, tão fácil quanto diferenciar queijo de snack. E mesmo soando como algo meio que grandioso, por se tratar da dimensão do Strokes pro mercado mundial e do Los Hermanos para o público daqui, o disco consegue criar uma atmosfera aconchegante e informal, tipo beber cerveja e ouvir música na sala de casa, acompanhado das pessoas que você mais gosta. As músicas que mais gostei foram: "The Next Time Around" e seus backings vocals fantásticos, a levada de "No one's better sake", a baladinha linda "Unattainable" cantada por Binki Shapiro, e "Keep me in mind" que me fez ter flashes de Los Hermanos e Strokes! :D
O que pediria uma menina de 15 anos de idade ao seu pai rico? Certamente um monte de coisas legais como celulares, sapatos, roupas, festas ou viagens maneiras. O bom é que pra tudo tem exceção e, nesse caso tem até nome próprio: Mallu Magalhães.
Mallu poderia ser mais uma cocotinha paulistana, que torra a grana do pai bem de vida em frivolidades adolescentes que só a ajudariam a ter mais sucesso entre suas iguais, entretanto resolveu bancar a esperta e não ser simplesmente a melhor entre seu grupinho, resolveu ser realmente diferente de todas. Ao invés de um festerê lindo pra society, Mallu resolveu pedir um “paitrocínio” para gravar um disco com músicas escritas por ela mesma.
Mallu, mas parece a Judy Foster.
Com o presente do pai e suas canções ela foi até o estúdio “Lucia no Céu”, lá no Sumaré, em São Paulo e, juntamente com os músicos do local arranjou e gravou suas primeiras canções, disponibilizadas em seu MySpace. Dai pra frente, após divulgar bastante o trabalho e causar frison no circuito alternativo de São Paulo, blogs, jornais e MTV’s em geral, a menina ganha os festivais de música do Brasil e, já com 16 anos de idade, acompanhada pelos músicos do estúdio “Lucia no Céu”, que agora são a sua banda oficial, entra novamente em estúdio e grava o seu disco de verdade.
O trabalho é uma superprodução, com direito a equipamentos antigos da gravadora EMI restaurados (com os quais também foram gravadas as músicas do Led Zeppelin IV), instrumentos escolhidos à dedo como o piano usado por Tom Jobim, guitarras dos anos 50, colheres e panelas na bateria e experimentações diversas, tudo supervisionado pelo renomadíssimo produtor musical Mário Caldato, que já trabalhou com gente graúda como o Beastie Boys, Super Furry Animals, Molotov, Seu Jorge, Planet Hemp, Bebel Gilberto, Marcelo D2, Chico Science & Nação Zumbi, dentre outros. Enfim, com tudo isso junto, não poderia sair outra coisa senão um álbum de sonoridade caprichadíssima.
Mallu e sua turma, no estúdio.
Mallu Magalhães e um leãozinho atento, estilo bolacha passatempo, é o que se vê na capa do disco que carrega o cancioneiro da garota paulistana e que foi lançado oficialmente no dia 15 de Novembro deste ano, durante o festival Gig Rock, em Porto Alegre. No festival estavam presentes diversos nomes de vulto da música independente nacional, mas a boa notícia para os conterrâneos é que a banda que se apresentou logo após o show de Mallu (muito bom, por sinal) foram os Umuaramenses do Nevilton, que continuam cada vez mais marcando presença no cenário nacional.
Na feira da fruta, o clipe de Tchubaruba.
Folk por excelência, dá pra se notar tons de Bod Dylan, Johnny Cash, Elvis Perkins e comparsas bem evidentes em todas as faixas do álbum, ainda mais que a maioria das músicas são em inglês, mas sem qualquer desabono no sotaque da garota. As guitarras de Kadu Abecassis, a bateria de Jorge Moreira e os baixos de Thiago Consorti, conversam de igual pra igual com os vilões, banjo e gaita de boca de Mallu, criando um clima feliz e colorido, inclusive nas músicas mais melancólicas.
Infelizmente, chega uma hora que a voz ainda um tanto infantil de Mallu começa a soar incômoda, dando a impressão de que o disco poderia terminar lá pela décima música ao invés de se estender por quinze. Mas isso é só um pequeno detalhe que é diminuído pela qualidade sonora e musical que essa trupe conseguiu criar nos 10 dias de gravação do álbum. E é essa criatividade de qualidade que faz com que cada nova canção que começa se torne uma surpresa dessa caixinha carinhosamente criada e decorada pela menina prodígio mais descolada do momento. Que sirva de exemplo!
Sob os olhares atentos e uma espécie de terror psicólogo, a obra “1984”, de George Orwell, escrito em 1948, fala de um mundo, Oceania (congregação de países de todos os oceanos), dominado pelo socialismo stalinista em 1984 (o inverso dos números do ano em que foi escrito). Em um mundo onde o Estado domina e nada é de ninguém - mas tudo é de todos - tudo o que resta de privado são os poucos centímetros quadrados do cérebro. E é aí que a batalha se desenvolve, entre o indivíduo e o Estado lutando na tentativa de controlar a mente.
Escrito no pós-guerra, o livro “1984” é um dos maiores clássicos do século passado. O romance de George Orwell descreve uma visão pessimista de um futuro sombrio. O autor inverteu o ano no título para criticar que o totalitarismo vigente em 1948 não era obra apenas de ficção científica. Os editores preferiram inverter os últimos dígitos para não assustar ainda mais os leitores. O ano de 1984 passou e pouco do que foi escrito se concretizou. Provavelmente nos próximos anos oitenta teremos uma sociedade mais parecida com a que foi imaginada por Orwell, pois ainda estamos no estágio experimental do controle da população.
A teletela, o aparelho imaginado por Orwell, é um eficiente receptor e emissor de dados que não se compara às limitações dos aparelhos de TV e dos micro-computadores. Para garantir a manutenção do Partido (tratado como Estado), os setores mais importantes da sociedade eram controlados por elas, sempre sob a onipresença do Grande Irmão (ou Big Brother e antes que me perguntem, lá vem a resposta: sim, o livro tecnicamente também inspirou o programa de TV).
Baseado na opressão dos regimes totalitários das décadas de 30 e 40, o livro não se resume a apenas criticar o stalinismo e o nazismo, mas toda a nivelação da sociedade, a redução do indivíduo em peça para servir ao Estado ou ao mercado através do controle total, incluindo o pensamento e a redução do idioma. A função de Winston Smith (personagem principal) é uma crítica à fabricação da verdade pela mídia e da ascensão e queda de ídolos de acordo com alguns interesses. No Miniver (Ministério da Verdade), ele alterava dados e jogava os originais no incinerador (Buraco da Memória) de tudo que pudesse contradizer as verdades do Partido.
Intrigante e ameaçadora, a obra, apesar de ser uma “visão de como seria o mundo em 1984”, deixa de lado o estereotipo corriqueiro de obras de ficção cientifica (que geralmente tratam o futuro como algo irreal). Indico a leitura principalmente a todos da área de comunicação. Com certeza, quem já leu, assim como eu, adorou!
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